
Um dos eventos cruciais da política na China tem início hoje, com os membros da elite do Partido Comunista reunindo-se de maneira privada para estabelecer as prioridades econômicas e sociais do país para os próximos cinco anos.
O quarto pleno do Comitê Central, programado para se estender por quatro dias, tem como objetivo finalizar o plano quinquenal de 2026 a 2030, um documento que guiará a estratégia nacional até o final da década. A reunião ocorre em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos e antes de um possível encontro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e seu homólogo americano, Donald Trump, durante uma cúpula regional.
Com aproximadamente 370 integrantes, o Comitê Central realiza em média sete encontros por cada ciclo de cinco anos. As sessões têm a finalidade de fortalecer a unidade interna em torno da agenda do partido, podendo também incluir mudanças na equipe, embora os detalhes sejam divulgados posteriormente.
O conteúdo completo do plano será revelado apenas em março de 2026, durante a sessão anual da Assembleia Popular Nacional. Entretanto, especialistas não antecipam transformações significativas em comparação com planos anteriores. Lynn Song, economista do ING Bank, afirma que “não há motivos para esperar uma ruptura drástica”.
A economia da China deve crescer 4,8% neste ano, um valor próximo da meta oficial. A crise no setor imobiliário, o excesso de capacidade industrial e as tensões comerciais com os EUA continuam a impactar o desempenho econômico.
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As prioridades incluem a promoção do consumo e o incentivo ao investimento privado, além do controle do excesso produtivo e o avanço tecnológico em áreas como inteligência artificial. A busca pela autossuficiência, especialmente na produção de semicondutores, deverá se intensificar à medida que Washington impõe restrições às exportações. De acordo com Ning Zhang, economista do UBS, isso levará a um aumento do investimento da China em tecnologia de ponta.
Outro aspecto relevante é se serão adotadas mudanças mais ousadas nas políticas de estímulo ao consumo. Até o momento, Pequim tem aplicado medidas graduais, como subsídios para crianças, créditos ao consumidor e incentivos para a renovação de eletrodomésticos e veículos. Zhang ressalta que “impulsionar o consumo é mais crucial do que nunca”, embora a confiança do consumidor ainda esteja abalada pela crise no setor imobiliário.
Casos como a guerra de preços na indústria automotiva evidenciam os riscos de uma concorrência excessiva. Simultaneamente, o aumento das exportações chinesas para países do Sudeste Asiático e da África tem gerado novas tensões comerciais com os EUA e outros parceiros internacionais.
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Desde a pandemia de covid-19, a China tem encontrado dificuldades em recuperar um crescimento mais robusto. A crise no setor imobiliário resultou em demissões e na diminuição do consumo das famílias. Segundo a professora Wendy Leutert, da Universidade de Indiana, o país ainda investe pouco em áreas como saúde, educação e cuidados infantis e de idosos, que poderiam estimular o consumo interno.
“Os líderes chineses parecem dispostos a aceitar custos econômicos em prol da autossuficiência e da liderança tecnológica”, argumentou.
A demografia representa outro desafio: a população começou a decrescer e está envelhecendo rapidamente. A taxa de desemprego entre os jovens gira em torno de 19%, conforme dados oficiais, restringindo a contribuição das novas gerações para a economia.
Pequim almeja duplicar o tamanho da economia entre 2020 e 2035. “Como qualquer outro governo, a China ainda se preocupa com o crescimento e deseja continuar a enriquecer”, afirmou Zhang, que considera manter o crescimento entre 4% e 5% por década “desafiador, mas essencial” para sustentar a legitimidade do partido.
“O que é importante para a liderança chinesa? Estabilidade, legitimidade e apoio contínuo”, concluiu.
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