
Por Sara L. Lopes, professora no Ispa – Instituto Universitário, pesquisadora no APPsyCI – Centro de Pesquisa em Psicologia Aplicada e Inclusão; e Ana Beatriz Figueiredo, mestre em Psicologia Social e das Organizações pelo Ispa – Instituto Universitário
Caro(a) leitor(a), talvez você nunca tenha considerado a possibilidade de ter um robô como seu líder, mas imagine por um momento como seria essa interação: você conseguiria captar sinais de confiança desse líder robótico? Sentir-se-ia psicologicamente seguro de que essa figura priorizaria o bem-estar de sua equipe?
Embora pesquisas já tenham demonstrado as vantagens da liderança robótica no ambiente profissional (um líder robô não faz julgamentos e não é afetado por questões pessoais…), a respeito da confiança—fundamental para uma liderança eficaz—as evidências científicas ainda são limitadas.
A confiança está intimamente relacionada ao conceito de segurança psicológica. Quando confiamos, nos tornamos vulneráveis, acreditando que a outra parte não nos causará danos. A segurança psicológica refere-se a um ambiente saudável, onde as pessoas podem ser genuínas e vulneráveis, facilitando a construção de confiança. Em contextos onde o líder promove condições para o desenvolvimento da segurança psicológica, os liderados tendem a compartilhar suas ideias abertamente, pois percebem o ambiente como seguro. Poderíamos, então, supor que os mesmos princípios se aplicam em situações de trabalho entre humanos e robôs?
A predisposição para interagir com robôs pode variar bastante entre as pessoas, influenciada por fatores como o interesse em tecnologia e a própria vontade de se relacionar com máquinas.
No contexto da liderança robótica, o robô é a figura que influencia os colaboradores humanos. Pesquisas já mostraram que os robôs, quando ocupando uma posição de poder, podem impactar os indivíduos, que reconhecem essa autoridade.
Sobre o impacto psicológico da liderança robótica, um estudo recente indicou que a confiança no líder robô contribui para a criação de um ambiente de trabalho psicologicamente seguro e pode até aumentar a satisfação dos colaboradores. O perfil de liderança do robô é também relevante: uma abordagem que estimule a troca de ideias e que atenda às necessidades dos liderados é a desejada.
Em resumo, a liderança robótica pode potencializar determinadas variáveis psicológicas e organizacionais, como confiança, segurança psicológica e satisfação no trabalho. Além disso, pode tornar os processos de liderança mais eficientes e eficazes, minimizando viéses e ajustando seu estilo às particularidades de cada subordinado. Contudo, para que isso aconteça, é imprescindível que a implementação da liderança robótica seja feita de maneira responsável e ética, com uma introdução gradual para facilitar a adaptação a esse novo contexto, aliada a uma implementação cuidadosa nos ambientes profissionais.
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