
A China dará início, nesta terça-feira, a manobras militares de grande escala nas proximidades de Taiwan, incluindo operações com munições reais, em uma demonstração de força que intensifica as tensões na região e aumenta a pressão militar sobre a ilha administrada por Taipé.
As atividades, denominadas “Operação Justiça 2025”, serão coordenadas pelo Comando do Teatro de Operações Leste do Exército de Libertação Popular e envolverão elementos do Exército, Marinha, Força Aérea e Força de Mísseis, conforme informou a agência estatal chinesa Xinhua nesta segunda-feira.
Um comunicado oficial emitido pelas autoridades da China revelou que os exercícios ocorrerão em cinco áreas distintas no mar e no espaço aéreo ao redor de Taiwan, as quais estarão sujeitas a restrições de navegação e voo ao longo do dia de hoje.
Um mapa divulgado separadamente pelos militares indica que as manobras com munições reais serão realizadas entre às 08:00 e 18:00 (00:00 às 10:00 em Lisboa). Por motivos de segurança, o comunicado recomenda que embarcações e aeronaves não envolvidas nas operações evitem ingressar nas áreas específicas.
Ênfase na supervisão de portos e prontidão militar
O porta-voz do Comando Leste, coronel Shi Yi, destacou que o propósito dos exercícios é avaliar a prontidão naval e aérea, bem como a capacidade de controle sobre portos estratégicos e outras zonas importantes nas proximidades da ilha.
Segundo Shi Yi, essas manobras servem como “um sério alerta às forças separatistas independente de Taiwan” e representam “uma ação legítima e necessária para proteger a soberania e a integridade territorial da China”.
A realização desses exercícios ocorre em um cenário de crescente tensão diplomática e militar na região, especialmente após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido no Parlamento japonês que Tóquio poderia intervir caso Pequim iniciasse uma ação militar contra Taiwan, em novembro.
Embora o exército chinês não tenha mencionado diretamente o Japão em seus comunicados, Pequim reagiu criticando publicamente as declarações de Takaichi, adotando medidas de retaliação diplomática e oposições ao aumento da presença militar japonesa nas ilhas Nansei, localizadas ao sudoeste do Japão e próximas a Taiwan.
As tensões aumentaram ainda mais na última sexta-feira, quando o presidente de Taiwan, William Lai Ching-te, recebeu em Taipé uma delegação japonesa liderada pelo ex-ministro das Relações Exteriores Taro Kono. A visita ocorreu em um momento de crescentes fricções entre Tóquio e Pequim.
Nestes últimos meses, diversas personalidades políticas japonesas visitaram Taiwan, incluindo o ex-ministro da Justiça Keisuke Suzuki, o antigo conselheiro Akihisa Nagashima, e Koichi Hagiuda, secretário-geral interino do Partido Liberal Democrático, que está no poder há longos anos.
Na semana passada, a China anunciou sanções contra 20 empresas americanas do setor da defesa, em resposta à decisão dos Estados Unidos de avançarem com novas vendas de armamento ao Governo de Taiwan, ação que Pequim considera uma intervenção em seus assuntos internos.
O governo chinês afirma que Taiwan é uma “parte inseparável” de seu território e não descarta o uso da força para efetuar a reunificação. Por outro lado, o governo de Taipé rejeita essa posição, sustentando que apenas os 23 milhões de habitantes da ilha têm o direito de decidir o seu futuro político.
Com o início hoje das manobras “Operação Justiça 2025”, o estreito de Taiwan se transforma novamente em um palco para uma demonstração militar chinesa, que está sendo monitorada de perto pela comunidade internacional em um contexto de crescente instabilidade na região do Indo-Pacífico.
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