
O líder americano, Donald Trump, enfrenta novos apelos para um processo de impeachment, impulsionados por democratas no Legislativo, após a recente ofensiva militar contra a Venezuela e a prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no último fim de semana. A decisão da Casa Branca provocou uma acentuada divisão política em Washington, com críticas direcionadas à legalidade da ação e à falta de autorização prévia do Congresso para o uso da força militar.
No sábado, Trump anunciou que os Estados Unidos haviam detido Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, após um “ataque em grande escala” em direção a Caracas. A administração americana alega que o casal está enfrentando acusações de narcoterrorismo, responsabilizando o governo venezuelano pelo tráfico de drogas que atinge território americano.
Maduro e sua esposa foram formalmente indiciados no Tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque. O líder venezuelano já havia sido processado nesse mesmo tribunal em março de 2020 por conspiração relacionada ao narcoterrorismo. Em agosto de 2025, as autoridades americanas aumentaram a recompensa por informações que levassem à sua prisão para 50 milhões de dólares. Maduro sempre refutou qualquer envolvimento em atividades criminosas.
As reações no Congresso foram variadas. Vários republicanos aplaudiram a ação militar, fortalecendo o apoio ao presidente. No entanto, membros de ambos os partidos questionaram a legalidade dos ataques, ressaltando que não houve autorização do Congresso, conforme estipulado pela Constituição dos Estados Unidos.
Muitos democratas acreditam que a operação poderia ser considerada uma infração passível de impeachment, uma questão legal que deverá dominar o debate político nas próximas semanas e influenciar as eleições intermediárias previstas para novembro.
A congressista democrata Delia Ramirez, de Illinois, foi uma das críticas mais expressivas, chamando a decisão de “violações ilegais e perigosas do direito internacional e das leis dos Estados Unidos que colocam todos em risco”. Em sua declaração, acusou Trump e sua administração de agirem como se fossem intocáveis, defendendo que existem mecanismos para proteger os americanos de “déspotas, belicistas e autoritários”.
Ramirez também pediu a aprovação de uma resolução sobre poderes de guerra apresentada pela congressista Ilhan Omar, enfatizando que o Congresso deve reafirmar suas prerrogativas e que Trump “deve ser alvo de impeachment”.
Aumentam os pedidos de impeachment por parte dos democratas
O deputado democrata Dan Goldman, de Nova Iorque, declarou que considera a ação militar “um ato digno de impeachment”. Enquanto isso, Maxine Waters, representante da Califórnia, comentou à Axios que muitos democratas estão questionando a viabilidade política de um novo processo diante da situação atual, mas admitiu estar a “reavaliar essa posição”.
A pressão se estende a candidatos que disputam assentos na Câmara dos Representantes. O senador estadual Scott Weiner, democrata da Califórnia e concorrente pela sucessão da ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, argumentou que Trump deve ser “imediatamente alvo de impeachment”, destacando que o presidente “não possui qualquer autoridade legal para invadir a Venezuela sem a autorização do Congresso”, classificando a operação como mais um “ato ilegal” de um presidente que ele chama de “valentão”.
Kat Abughazaleh, candidata a uma vaga no Congresso por Illinois, afirmou em um vídeo que Trump “deve ser alvo de impeachment, julgado e destituído do cargo o quanto antes”.
O professor de Direito Brian Kalt, da Universidade Estadual de Michigan, explicou à Newsweek que existe uma base legal para um processo de impeachment, uma vez que “qualquer violação das limitações constitucionais impostas à presidência pode ser interpretada como passível de impeachment”. No entanto, considerou improvável que o processo avance com sucesso, já que os republicanos têm a maioria na Câmara dos Representantes.
Kalt ressaltou que seria necessário um apoio considerável dos republicanos para que o processo prosseguisse, algo que ele considera improvável, além de afirmar que há “zero chance” de o Senado condenar o presidente. O acadêmico também destacou que a polarização política facilitou o início de processos de impeachment, mas tornou mais difícil obter condenações, indicando um aumento em tentativas “vãs” de destituição.
O cientista político Robert Y. Shapiro, da Universidade de Columbia, afirmou à Newsweek que um impeachment só teria viabilidade se houvesse apoio republicano suficiente para uma maioria sólida na Câmara e uma possibilidade real de condenação no Senado, o que exigiria um número significativo de senadores republicanos votando contra Trump. Até agora, é cedo para avaliar o impacto político total da ação militar e da captura de Maduro, sendo esse um fator crucial para o resultado das eleições intermediárias.
Apesar de Trump ter enfrentado várias tentativas de impeachment durante seu primeiro mandato—sendo alvo de dois processos aprovados pela Câmara, ambos rejeitados no Senado—os democratas têm demonstrado maior contenção durante seu segundo mandato. Resta ver se o número de vozes exigindo sua destituição continuará a aumentar.
Shapiro ressaltou que um processo de impeachment poderia permitir ao Congresso tentar reafirmar-se como um poder igual, mas advertiu que o risco é expor novamente a fragilidade dos democratas e permitir que Trump se posicione como uma vítima para angariar apoio.
O analista político Kyle Kulinski expressou, em uma publicação na rede social X, que a falta de uma resposta imediata, seja por meio de impeachment ou pela 25ª Emenda, é “preocupante”, alertando que Trump poderia interpretar a ausência de consequências como autorização para futuras intervenções ilegais.
Do lado democrático, o senador Chris Van Hollen, de Maryland, afirmou à CBS News que toda a operação visa “eliminar Maduro, apoderar-se do petróleo da Venezuela para empresas americanas e para os aliados bilionários de Trump”, destacando que o presidente comentou extensivamente sobre petróleo após a operação.
Por outro lado, o deputado republicano Mike Lawler, de Nova Iorque, elogiou a decisão do presidente, afirmando em um post na rede X que a prisão de Maduro, qualificado por ele como narcoterrorista, “mudou o curso da história” e aumentou a segurança dos Estados Unidos, argumentando que Trump fez mais em um ano para conter o tráfico de drogas do que administrações anteriores.
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