
A Liga de Bombeiros de Portugal (LBP) emitiu um aviso nesta quarta-feira, indicando que o funcionamento dos serviços de urgência hospitalar compromete o sistema de emergência pré-hospitalar, defendendo uma abordagem conjunta para facilitar o atendimento e liberar ambulâncias e macas.
O aviso da LBP ocorre após o falecimento de um homem no Seixal, que esperou perto de três horas por atendimento do INEM, e após o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica, Luís Cabral, ter apontado o dedo à retenção de macas nos hospitais. Ele explicou que a busca por recursos iniciou-se 15 minutos após a ligação, mas não havia ambulâncias disponíveis.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da LBP, António Nunes, destacou que, embora não tivesse informações detalhadas sobre o caso, a Península de Setúbal “enfrenta uma crônica falta de ambulâncias para atender à elevada demanda”.
“É comum que ambulâncias de bombeiros de municípios da margem norte se desloquem até Setúbal para prestar socorro a cidadãos a uma distância de uma hora, ou uma hora e meia do seu quartel”, enfatizou.
Ele sustentou que a prioridade a ser abordada é o funcionamento das urgências nos hospitais, destacando que isso não diz respeito ao INEM ou aos bombeiros, mas sim à Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS).
Conforme António Nunes, a DE-SNS já se comprometeu com a LBP a criar um posto de acolhimento exclusivo para as ambulâncias dos bombeiros sempre que houver um excesso de pacientes nas urgências, mas observou que “em algumas ocasiões isso acontece, enquanto em outras não”.
No entanto, mesmo que a questão da triagem seja superada, é essencial transferir o paciente de um meio de socorro para um ambiente hospitalar, algo que, frequentemente, não ocorre: “Há situações em que o paciente entra no hospital na maca dos bombeiros, é examinado, tratado e recebe alta ainda na maca dos bombeiros”, esclareceu.
Segundo o dirigente, essa situação é mais evidente em áreas urbanas, onde a pressão sobre os hospitais é maior, defendendo que as instituições de saúde devem implementar sistemas de gestão de macas e de altas hospitalares.
A LBP tem sugerido ao Ministério da Saúde que, assim como existe um sistema de emergência pré-hospitalar para o transporte de pacientes urgentes, deveria haver uma estrutura nas grandes cidades para a transferência de pacientes das urgências hospitalares ou altas hospitalares para cuidados subsequentes.
“Existem hospitais que não realizam altas hospitalares à noite. Portanto, se as camas das enfermarias não são liberadas, não conseguimos acomodar os pacientes da urgência nas enfermarias, resultando na não liberação das macas das urgências. Isso cria um efeito dominó”, destacou.
Na sua opinião, “não se pode considerar a emergência apenas como a solução de um telefonema e o envio de uma ambulância, pensando que tudo está resolvido”.
“Não, isso é apenas o começo do processo, pois o final do processo é hospitalar”, frisou, ressaltando que se trata de um problema “crítico há bastante tempo”.
“É um problema estrutural que precisa ser resolvido”, afirmou, defendendo que não é necessário investir mais recursos financeiros, mas sim organizar, gerenciar e planejar melhor, reunindo todos os envolvidos.
“Se uma parte do sistema falha, o sistema todo entra em colapso”, alertou, enfatizando que é fundamental ter “um plano B” para momentos de alta demanda, como a possibilidade de contratar internamentos em hospitais privados e sociais e ativar o hospital de campanha do INEM, como ocorreu durante a pandemia.
Adicionalmente, ele ressaltou que a nova abordagem de triagem do INEM precisa ser revisada, pois a conexão direta dos bombeiros com as comunidades pode ser prejudicada em momentos de pico.
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