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Igreja: Das refeições coletivas em Viseu às recentes dificuldades asiáticas em Beja, educadores da fé enfrentam um Portugal pluricultural.

Líderes locais de Viseu e Beja comentaram, em Fátima, como a recepção de migrantes está moldando as paróquias, quebrando barreiras
<p>Igreja: Das «refeições» coletivas em Viseu às recentes dificuldades asiáticas em Beja, educadores da fé enfrentam um Portugal pluricultural.</p>

Líderes locais de Viseu e Beja comentaram, em Fátima, como a recepção de migrantes está moldando as paróquias, quebrando barreiras linguísticas e culturais.

Fátima, 09 jan 2026 (Ecclesia) – A recepção de famílias imigrantes está transformando a aparência das paróquias em Portugal, movendo-se da coexistência para uma verdadeira troca cultural, conforme relataram hoje catequistas de Viseu e Beja durante um encontro nacional de líderes diocesanos de Catequese.

“As pessoas, até nas escolas, estão já acostumadas com eles. Então, na catequese, também os aceitam com toda a gentileza. De fato, estão sempre chegando”, disse Laura Maurício, do Secretariado da Educação Cristã de Viseu.

A catequista da paróquia do Coração de Jesus destacou à Agência ECCLESIA a rapidez com que as crianças se integram, mencionando uma iniciativa recente que uniu a comunidade local com a brasileira.

“Realizamos uma ceia de Natal e decidimos incluí-los também. A maneira que encontramos foi eles prepararem o prato típico do Brasil. Eles fizeram uma feijoada brasileira, que estava deliciosa, enquanto nós fizemos o nosso prato típico, o bacalhau”, contou Laura Maurício, ressaltando que essa comunidade se tornou a mais expressiva e atuante, com membros se preparando até para o diaconato permanente.

Maria Clara Rodrigues, coordenadora do Departamento de Catequese da Infância e Adolescência na Diocese de Beja, comentou sobre a evolução de uma diocese que passou do acolhimento de famílias militares e imigrantes dos PALOP para uma nova onda de migração originária da Ásia.

“Atualmente, os maiores desafios estão relacionados a esses novos grupos migratórios, principalmente da Índia e do Paquistão, que são predominantemente masculinos”, esclareceu a catequista, sinalizando a barreira linguística e as diferenças religiosas como obstáculos a serem superados.

Embora a comunidade brasileira e os timorenses (por sua forte ligação católica) se integrem com facilidade, Maria Clara Rodrigues observa que ainda é necessário “fazer um trabalho de acolhimento” com a população local mais idosa para superar “algumas inseguranças”.

“Acho que um dos principais desafios é preparar os outros para receber quem chega de fora”, reconheceu a responsável de Beja, enfatizando a necessidade de uma catequese onde todos possam se enriquecer mutuamente.

O Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) organizou um encontro para líderes diocesanos de catequese, no Centro Catequético de Fátima, para discutir questões relacionadas a “migrações” e “prevenção da violência” no contexto eclesial, reunindo cerca de 45 participantes.

LJ/OC

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