
Ainda que não houvesse muitas incertezas sobre a dedicação da direção do PSD à campanha de Luís Marques Mendes, essa entrega se torna cada vez mais aparente, com ministros e membros da estrutura do partido participando ativamente. E para esclarecer qualquer dúvida, o alto escalão do partido se fez ouvir através de Hugo Soares, que fez uma declaração pouco comum para uma campanha: “O PSD não faz nenhum frete em apoiar a sua candidatura. Não há esforço algum”.
No momento em que, conforme reportado pelo Observador, são notórias as tentativas de Marques Mendes para engajar os eleitores que optaram pela AD, Hugo Soares preferiu ser claro e assegurou que não haveria mensagens subentendidas para serem decifradas por repórteres ou analistas: o objetivo de discursar em Évora foi simplesmente “diretamente para o PSD”, além de dedicar-se àqueles que “votaram no PSD”, reafirmando que ele é o melhor candidato.
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Reiterando que não tem dúvidas de que o PSD apoia seu ex-líder — “o PSD está de fato do lado dele”, enfatizou, olhando para Mendes — o secretário-geral e líder da bancada do partido falou diretamente aos apoiantes da AD: aqueles que não desejam instabilidade política e não querem jogar fora o “esforço dos portugueses” ou deixar o país em “standby” só têm uma escolha — a escolha é “evidente”.
Hugo Soares, por sua vez, seguiu o mesmo raciocínio que Mendes usou após o debate com os onze concorrentes: quem assistiu ao debate percebeu que existiam dez candidatos desejando assumir o papel de oposição em Belém — “isso não é a missão de um Presidente da República”.
Apesar da harmonia entre eles, Soares fez questão de garantir que Mendes será um candidato independente, lembrando: “[Essa postura] Muitas vezes nos causa dissabores e menos apoio; sermos honestos conosco às vezes gera inimizades, mas isso é ser autêntico. Ele não viveu para agradar a todos. Os nossos laranjinhas, e eu incluso, que o digam”.
O dirigente que controla a máquina do PSD utilizou o restante de seu discurso para criticar os adversários, comparando suas abordagens e motivações para as candidaturas ao “brilho nos olhos” de Mendes desde que ele declarou que essa candidatura seria a maior honra de sua vida.
“Uma eleição presidencial não é um mero jogo. Não é partidária, não deve ser tratada de forma superficial, nem é uma daquelas em que o voto pode ser desperdiçado”, alertou. Referente a Ventura, lembrou que este admitiu ser candidato por obrigatoriedade, “porque não encontrou mais ninguém”, mencionando que durante um Conselho Nacional do Chega ele disse que era um mau sinal para o país ter um líder da oposição como candidato. “Quem acredita ter uma missão digna de liderar a oposição não pode almejar ser o líder da oposição vindos de Belém. Não é adequado para a Presidência, está enganando os portugueses e tratando as eleições como um jogo”.
Em seguida, atacou Cotrim, lembrando que a escolha da IL inicialmente recaía sobre Mariana Leitão, que “brincou” com as eleições e optou por desistir. Ressaltou declarações de Cotrim feitas em março: “Isso já foi resolvido e de maneira adequada. Não me interessaria. A Presidência é um cargo muito cerimonial (…) o que se faz ali não é do meu perfil, eu não seria feliz”. “Quando alguém se candidata por imposição, sem prazer, não sente a honra de uma vida, definitivamente não pode ser o PR”.
Soares mencionou ainda Seguro, que busca “se vingar do que passou quando era secretário-geral” e questiona sobre diversas questões que “não são da alçada da Presidência” — “espera-se que ele exponha o que pensa”. “É importante que seja comunicado aos socialistas e ao país: sua candidatura só é possível porque não houve outra escolha, porque não era a preferência. Eles tentaram em todos os lugares”.
“Nós nunca tivemos incertezas. Nosso candidato sempre foi, desde o início em que expressou desejo de ser candidato, Marques Mendes”, afirmou. Olhou também para Gouveia e Melo, expert em “logística” — “isso não é suficiente”. “A decepção é total. Não é só a carência de ideias, a confusão ideológica. É também a maneira como se posicionaram nesta candidatura. É degradante observar como alguns têm se comportado na campanha, não afirmando uma proposta, mas atirando lama em todo mundo”.
Num discurso defendendo um país com menos impostos, salários mais altos, melhores pensões e ambição — a que o primeiro-ministro se refere e que “Mendes frequentemente repete” — voltou a associar o candidato ao governo: “Quem deseja um país governado por um Executivo ambicioso, só pode apoiar Mendes”.
Logo depois, Mendes expressou preocupação ao notar que a maioria dos adversários está focada em criar instabilidade em Portugal, fazendo novas críticas.
“Uns são candidatos típicos de partidos, como o do Chega, e, portanto, estão sempre em campanha. Outros, como o do PS, que com a ideia absurda dos ovos e cestos pretende ser um contrapoder. E ainda temos o candidato da IL, que ao dividir o espaço da direita e centro-direita apenas favorece o populismo. E Gouveia e Melo, que se tornou viciado em dissoluções por cá e por lá — um dia desses ainda teremos mais do que já temos”.
“Essas pessoas não estão preocupadas com a estabilidade. Eles são elementos geradores de instabilidade. O PR deve ser o primeiro defensor da estabilidade”, disparou, lembrando-se dos perigos do cenário internacional e afirmando ter credenciais para discutir estabilidade, uma vez que sempre esteve entre os princípios fundamentais de sua candidatura.
“Não abandonarei minha convicção. Quero ser o Presidente da estabilidade, apoio o Governo em condições para governar”, defendeu; assim, terá autoridade e firmeza para cobrar resultados do Governo em todas as áreas; e contribuirá para reforçar políticas importantes, como as que promovem a redução de impostos (pela primeira vez nos últimos dois anos há cortes significativos, destaca); e para formar consensos: “O Governo pode ser minoritário, mas deve durar quatro anos”.
Um Presidente da estabilidade não se limitará ao imobilismo, garantiu; ele é também a mudança. Por isso, destacou como áreas essenciais o diálogo com o Governo e o Parlamento, focando nos jovens, porque o “desdém em relação a eles é uma das atitudes mais repreensíveis dos últimos anos”; mas igualmente nos idosos e aposentados, cujas pensões são muito baixas, aproveitando para fazer uma última crítica a Cotrim — “alguns liberais pensam que isso é uma questão secundária, um simples dado estatístico, mas, em respeito à dignidade humana, isso deve estar no centro das atenções do PR”.
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