Henrique Gouveia e Melo tem rejeitado a ideia de ter uma estratégia política bem definida, mas está se adaptando a uma abordagem que lembra o “garfo do cavalo” no xadrez: atacar dois alvos simultaneamente. Embora demonstre uma maior irritação ao discutir o candidato apoiado pelo PSD, durante toda a campanha oficial, sem exceção, ele tem concentrado seus ataques em Marques Mendes e António José Seguro. Com frequência, refere-se a ambos como os “dois candidatos do status quo”, “sapos desejando ser reciclados”, figuras que “não conseguiram vencer no seu próprio partido” e que, ainda atualmente, não têm “consenso nem entre os seus correligionários”.
Antes do início da campanha, Gouveia e Melo estava mais direcionado em criticar quase obsessivamente o ex-líder do PSD e comentador político. Contudo, agora fica claro que deseja também atingir o ex-secretário-geral do PS. Nesse contexto, o almirante avança para críticas mais personalizadas direcionadas a cada um deles, mas sempre se preocupa em atacar ambos em cada declaração. A respeito de Mendes, enfatiza que sua eleição resultaria em um “facilitador de negócios na presidência”. Em relação a Seguro, reafirma que ele é “indeciso” e “vazio”.
Os ataques duplicados têm sido repetidos incessantemente em uma retórica muito semelhante à de André Ventura, que nas últimas campanhas sempre criticou os candidatos do sistema e que há 50 anos governam o País. As críticas de Gouveia e Melo parecem seguir rigidamente essa mesma linha narrativa. Em Campo Maior, na segunda-feira, disparou contra “os dois candidatos do sistema: um que deseja presidir para apoiar o Governo; e outro que tenta se posicionar como o opositor do Governo”. Na mesma oportunidade, Henrique Gouveia e Melo apontava que Mendes e Seguro “não conseguem sequer ter o apoio total dos seus próprios partidos”.
Horas mais tarde, em Castro Daire, nova investida do almirante contra “os candidatos do sistema que há duas décadas mantêm Portugal em um estado de estagnação e não conseguem apresentar novas soluções” e que “não conseguem unir nem mesmo seu próprio partido, quanto mais o País”.
Pela manhã seguinte, em uma feira em Vila Verde, Alijó, voltou a criticar repetidamente os dois candidatos, afirmando que “nem sequer têm o pleno apoio dos seus partidos, quanto mais de uma nação inteira”, acrescentando que “as únicas coisas que dizem são generalidades e croquetes“. Ao passar por sapos de cerâmica na feira, sugeriu que Mendes e Seguro estavam no “pântano” político, como “sapos desejando ser reciclados”.
À noite, durante o debate na RTP, voltou a criticar os “dois candidatos que não conseguiram vencer em seus próprios partidos, nem contar com consenso interno, mas aqui estão para serem o ápice do Estado”. No confronto televisivo, em outra alfinetada comum aos candidatos do centrão: “O problema da Saúde não surgiu recentemente, ele se arrasta há 20 anos, e os dois principais partidos do sistema estiveram diretamente envolvidos nesta questão”. Mas os ataques também são ad hominem.
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