
A apresentação do novo documento acontece hoje na Universidade Católica Portuguesa em Lisboa, numa colaboração entre o COPIC e a Conferência Episcopal Portuguesa.
Lisboa, 20 de janeiro de 2026 (Ecclesia) – A pastora Miriam Lopes, que representa o Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC), acredita que a nova Carta Ecuménica, revelada hoje em Lisboa, representa uma chance de renovar o ânimo das Igrejas Cristãs na Europa diante dos novos obstáculos que o continente enfrenta.
“Esta carta, lançada no ano em que assinalamos 1.700 anos do Credo Niceno, é o momento ideal para revitalizarmos e unificarmos as vozes de todas as igrejas cristãs na Europa”, afirmou em uma entrevista ao Programa ECCLESIA, que foi exibida hoje na RTP2.
A pastora destaca que o mundo e a Europa passaram por transformações, assim como a “interação entre as diversas confissões” e até mesmo “com outras religões”, tornando necessário atualizar a Carta Ecuménica, redigida em 2001, para que “as diferentes Igrejas possam ajustar ou reorientar” suas iniciativas relacionadas ao ecumenismo.
A “guerra”, o “crescimento da secularização” e a “urgência de direcionar uma mensagem aos jovens como continuidade do processo de unidade cristã” definem, segundo Miriam Lopes, a atual realidade do continente.
Hoje, às 15h15, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o Conselho Português de Igrejas Cristãs estão lançando a nova versão da Carta Ecuménica, que foi assinada em Roma no dia 5 de novembro de 2025.
O padre Peter Stilwell, que dirige o Departamento de Relações Ecuménicas e Diálogo Inter-religioso do Patriarcado de Lisboa, recorda as “atrocidades de guerras motivadas pela religião no coração da Europa”, datando de antes do século XVIII, e as “práticas discriminatórias baseadas em crença religiosa”, especialmente na Península Ibérica, com a Inquisição.
“Com a secularização, duas grandes guerras mundiais, e o Concílio Vaticano II para a Igreja Católica, houve uma reflexão sobre a presença das Igrejas no mundo, e redescobrimos nosso espírito fundamental”, destaca, ressaltando que as Igrejas Cristãs estão unidas na missão de cuidar do mundo e daqueles em situação vulnerável.
“Compartilhamos a mesma preocupação em trazer o espírito de Jesus Cristo à sociedade”, enfatizou o sacerdote, sugerindo que a Europa contemporânea necessita de ações que preencham as lacunas existentes entre as comunidades e as Igrejas cristãs.
A pastora Miriam Lopes defende que o “caminho principal” que a nova Carta Ecuménica propõe é oferecer “diretrizes de esperança”.
“Creio que o Espírito Santo nos une, não para que sejamos iguais, mas para que possamos nos aproximar e unir nossas forças”, disse ela.
Quando questionado sobre a possibilidade de ações concretas que facilitem a aproximação entre cristãos, inspiradas pelo documento e não limitadas apenas à Semana de Oração pela Unidade, o padre Peter Stilwell apontou um dos aspectos do texto hoje apresentado.
“A carta apresenta um desafio para estabelecer critérios objetivos e projetos de colaboração mútua, não se trata de uma união em termos doutrinais ou estruturais, mas sim em fé, oração, esperança e gestos comuns nessa dimensão”, destacou.
“Na verdade, já foi sugerido em Portugal a ideia de acreditar em nossa paróquia ou movimento dentro dessa perspectiva ecuménica, colaborando com aqueles que também creem em Jesus Cristo”, relatou o padre.
A nova redação da Carta Ecuménica foi elaborada em comemoração ao 1.700º aniversário do primeiro concílio ecuménico, realizado em Niceia (atual Turquia) em 325, e será apresentada hoje em Portugal durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026.
HM/LJ/OC
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