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Calor intenso está prejudicando o sistema natural de resfriamento das abelhas.

As abelhas melíferas são reconhecidas por sua habilidade em regular a temperatura dentro de suas colmeias, mas pesquisas recentes indicam
<p>Calor intenso está prejudicando o sistema natural de resfriamento das abelhas.</p>

As abelhas melíferas são reconhecidas por sua habilidade em regular a temperatura dentro de suas colmeias, mas pesquisas recentes indicam que o calor extremo do verão pode prejudicar esse sistema de refrigeração natural. Um estudo publicado na revista Fisiologia Ecológica e Evolutiva revelou que ondas de calor prolongadas podem interferir no controle da temperatura das colmeias, resultando em quedas significativas nas populações de colônias.

Intitulado “Efeitos Negativos do Calor Excessivo na Termorregulação e Dinâmica Populacional em Abelhas Melíferas”, o estudo acompanhou nove colmeias de abelhas durante um verão particularmente quente no Arizona. Ao longo de três meses, as temperaturas frequentemente ultrapassaram 40°C. As descobertas sugerem que ondas de calor cada vez mais intensas ao redor do mundo representam um risco sério para as abelhas melíferas e os serviços essenciais de polinização que elas oferecem.

“As colônias de abelhas melíferas possuem mecanismos bem documentados para lidar com a exposição ao calor,” afirmam os autores Jun Chen, Adrian Fisher II, Gloria DeGrandi-Hoffman, Cahit Ozturk, Brian H. Smith, Jennifer H. Fewell, Yun Kang, Kylie Maxwell, Kynadi Overcash, Keerut Chahal e Jon F. Harrison. “No entanto, ainda não há estudos que avaliem os limites dessa termorregulação ou como as ondas de calor impactam a capacidade das colônias de abelhas em regular a temperatura e se desenvolver.”

Perigosas Variações Térmicas Dentro da Colmeia

Os pesquisadores descobriram que, embora as colmeias conseguissem manter as temperaturas médias dos crias dentro da faixa ideal de 34-36°C para um desenvolvimento saudável, as temperaturas internas da colmeia ainda variavam bastante ao longo do dia. As abelhas em desenvolvimento no centro dos crias enfrentaram cerca de 1,7 horas por dia abaixo das temperaturas consideradas ideais e aproximadamente 1,6 horas acima dessa faixa.

As condições eram significativamente mais severas nas bordas dos crias. As jovens abelhas nessas áreas externas passaram quase oito horas por dia fora da faixa segura de temperatura, expostas a condições estressantes e potencialmente prejudiciais.

Essas oscilações de temperatura tiveram consequências biológicas evidentes. Colônias expostas a temperaturas máximas do ar mais altas e maior variação interna de temperatura apresentaram diminuições em seu tamanho populacional. De acordo com o estudo, “o calor excessivo, com temperaturas máximas superiores a 40°C, pode reduzir as populações das colônias ao prejudicar a termorregulação dos crias ou ao expor os adultos a temperaturas que encurtam suas vidas.”

Por que Colônias Maiores se Saem Melhor

O tamanho da colônia teve um papel crucial na capacidade das abelhas de se protegerem do calor. Colônias maiores demonstraram ser mais eficazes em manter temperaturas internas estáveis. Nas colmeias menores, as temperaturas nas bordas dos crias variaram até 11°C diariamente, em comparação com oscilações de cerca de 6°C nas maiores colônias.

Devido a essa estabilidade adicional, tanto as abelhas em desenvolvimento quanto as operárias adultas nas colônias maiores passaram muito menos tempo expostas a temperaturas extremas que poderiam ameaçar sua sobrevivência.

Mudanças Climáticas e Aumento dos Riscos Térmicos

Os pesquisadores alertam que os desafios observados no Arizona podem se tornar cada vez mais comuns em outras regiões. “Projeções climáticas indicam que as temperaturas médias globais podem aumentar em aproximadamente 2,7°C até o final do século, com elevações potenciais de até 4°C sob cenários de maiores emissões,” destacam os autores. Tal aquecimento deve tornar as ondas de calor mais frequentes e intensas em diversas áreas.

A umidade pode agravar o problema. Os autores também observam que “níveis altos de umidade diminuem significativamente a eficácia da refrigeração evaporativa – o principal mecanismo que as abelhas melíferas utilizam para regular as temperaturas da colmeia – potencialmente tornando a termorregulação ainda mais difícil.”

Implicações para Apicultores e Agricultura

As descobertas têm importantes implicações para apicultores e para sistemas agrícolas que dependem da polinização realizada por abelhas melíferas. Os pesquisadores sugerem que práticas de manejo, como fornecimento de água suplementar, posicionamento das colmeias em áreas sombreadas, melhorias no design e isolamento das colmeias, além da garantia de acesso a forragem de alta qualidade, podem se tornar cada vez mais críticas. Essas medidas podem ajudar a reduzir o estresse térmico e a manter a estabilidade das colônias à medida que as temperaturas continuam a subir.

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