
Um grupo de indivíduos a movimentar-se ao som da música, onde se destacam várias mulheres. Duas delas balançam a cabeça e os cabelos de forma vibrante. Esta cena é capturada em um vídeo que circula nas redes sociais, relatando o seguinte: Tavanir, no Irão.
Tavanir não se refere a uma cidade iraniana, mas sim à empresa de energia estatal. Segundo as publicações que compartilham este vídeo, “as mulheres iranianas dançam com os cabelos ao vento e sem hijab em frente à companhia elétrica de Teerão”: “Tavanir costumava controlar a eletricidade. Agora, as mulheres possuem o verdadeiro poder”. “Mais uma ditadura comunista em colapso, Irão livre”, comemora uma internauta.
Esse vídeo começou a circular na segunda semana de janeiro, num período em que os protestos mais recentes no Irão alcançaram um número elevado de participantes. Milhares manifestaram-se nas ruas contra o regime e a grave crise econômica que afeta o país. Em resposta, o governo iraniano bloqueou o acesso à internet.
O ato de mulheres dançando sem hijab durante os protestos é considerado corajoso, especialmente diante das regras rigorosas que obrigam o uso do véu islâmico, reforçadas pela chamada polícia da moralidade, que fiscaliza se as mulheres estão obedecendo a essa norma. O regime iraniano é responsável pela morte de Mahsa Amini em 2022, após sua prisão por não usar o hijab, o que desencadeou uma nova onda de protestos no país.
Nas redes sociais, uma internauta celebra que “as mulheres iranianas se manifestem com seus corpos”. “Elas cantam, dançam e retiram o hijab não como uma provocação, mas por dignidade”, ressalta, acrescentando que, em um regime que “pune a liberdade com prisão, tortura e até morte, cada ato é uma forma de resistência”. “A luta delas não diz respeito à vestimenta, mas sim a existir sem medo, a escolher sem punições e a viver sem submissão.”
O vídeo é visto como um símbolo dessa luta — e como as “mulheres têm o verdadeiro poder” durante os protestos que se iniciaram no final de 2025. No entanto, é importante notar que, embora o vídeo seja autêntico e mostre realmente jovens dançando em frente à empresa elétrica em Teerão, ele já circula desde março de 2025 nas redes sociais, não sendo, portanto, um registro das manifestações mais recentes.
Por outro lado, o vídeo é parte de um documentário do fotógrafo e cineasta iraniano Sasan Farsani. De acordo com a versão em persa do jornal britânico Independent, o documentário inclui dois vídeos com quase 25 anos de diferença gravados na fachada da companhia elétrica estatal em Teerão: um filmado em 2001 e outro em 2025, durante as comemorações do Noruz, o Ano Novo persa (que acontece normalmente em meados de março).
ساسان فارسانی، عکاس، فیلمبردار و طراح تیتراژ سینما و تلویزیون، ویدیویی از چهارشنبهسوری در منطقه توانیر تهران منتشر کرده که به یکی از پربازدیدترین تصاویر این جشن در سال ۱۴۰۳ تبدیل شده است.
در این ویدیو او چهارشنبهسوری امسال را که با شادی رقص زنان و پسران و جشنهای خیابانی همراه… pic.twitter.com/aLliNdBcP4— independentpersian (@indypersian) March 21, 2025
O fotógrafo buscava destacar as mudanças: em 2001, a polícia transformou as ruas em um “campo de batalha”, enquanto em 2025 não lhe foi permitido fazer isso — e as celebrações do Ano Novo ocorreram de maneira muito mais pacífica, mesmo com a presença de mulheres dançando sem o véu imposto pela polícia da moralidade. Segundo o Independent, Sasan Farsani desejava mostrar que o Irão estava avançando em direção a uma “sociedade que resgata a alegria e a esperança por um futuro diferente”.
As celebrações de 2025, ilustradas no documentário, são agora disseminadas nas redes sociais como evidência de que, na mais recente onda de protestos, há mulheres dançando “com os cabelos ao vento e sem hijab”.
Conclusão
O vídeo compartilhado nas redes sociais mostra, de fato, mulheres dançando sem hijab em frente à companhia elétrica em Teerão. No entanto, esse vídeo não é recente — foi gravado em março de 2025 — e não é uma filmagem das manifestações mais atuais. Faz parte de um documentário que ilustra a crescente aceitação do regime iraniano em relação ao uso do véu islâmico.
De acordo com a classificação do Observador, esse conteúdo é:
ENGANADOR
Nosistema de classificação do Facebook, esse conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as afirmações contidas são uma junção de informações corretas e erradas, ou a principal alegação é enganosa ou incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador em razão de uma parceria de verificação de fatos com o Facebook.
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