
O Professor de Estudos Bíblicos enfatizou a importância de evitar «preconceitos» e apresentou uma «metodologia eficaz» para a leitura das Escrituras
Lisboa, 23 de janeiro de 2026 (Ecclesia) – O padre Armindo Vaz, especialista em Sagrada Escritura, realçou a “perspectiva inspirada” do Papa Francisco ao criar o ‘Domingo da Palavra de Deus’, comemorado no dia 25 de janeiro, lamentando o “escasso conhecimento bíblico” e alguns “preconceitos” existentes.
“Estudos e investigações demonstram que os cristãos, apesar das recomendações do Concílio Vaticano II para que todos, tanto leigos como clérigos, leiam as Sagradas Escrituras, ainda o fazem de forma limitada. Há uma grande devoção entre os cristãos, mas a educação sobre a Bíblia é insuficiente”, disse o professor durante uma entrevista à Agência ECCLESIA.
O padre Armindo Vaz manifestou preocupação com o “pouco conhecimento das Escrituras e escassa formação”, sugerindo que a falta de leitura se deve a “preconceitos que os cristãos têm em relação à Bíblia, sua Bíblia”.
“Esses preconceitos incluem, por exemplo, a ideia de que a Bíblia é um guia de comportamentos negativos. A Bíblia já foi chamada de catálogo de horrores e violências, pintando um Deus sedento de sangue, pronto para exterminar a humanidade por conta do pecado de um casal, conforme descrito nos textos do Gênesis, que falam tanto do Dilúvio quanto da narrativa de Adão e Eva”, explicou o estudioso da Bíblia.
Segundo o professor aposentado da Universidade Católica Portuguesa, muitos veem a Bíblia apenas como “um conjunto de proibições” – “não deves fazer isto, não deves fazer aquilo” – afirmando que a Bíblia não é um código de regras “ou um simples cumprimento de mandamentos”, nem um “receituário mágico”, como se fosse um compilado de soluções instantâneas para problemas, tampouco um texto que fundamenta opiniões, um fenômeno comum entre fundamentalistas.
“Pelo contrário, a Bíblia é, ao menos enquanto texto literário, uma instância crítica. Serve como um meio para o ser humano se reconhecer em um nível elevado, para transcender as trivialidades da vida e alcançar o divino, a transcendência. A Bíblia orienta, inspira e incita à ação, possuindo uma função provocativa”, esclareceu o padre Armindo Vaz, que dividiu a palavra ‘provocativa’ em duas partes.
A Bíblia fala de Deus e também do ser humano. Representa o diálogo entre o ser humano e Deus. O que torna a Bíblia grandiosa é que um povo, o povo de Israel, decidiu conversar com Deus, fazer com que Deus se comunicase com a humanidade”.
Segundo o entrevistado, existem “duas formas” de abordar a leitura da Bíblia: para os “menos exigentes”, é seguir os textos litúrgicos, no Missal, por exemplo, “a partes, sem contexto, focando apenas em textos isolados”, mas “esta não é a abordagem ideal.”
A Igreja Católica celebra o ‘Domingo da Palavra de Deus’ no 3.º Domingo do Tempo Comum, em 2026, no dia 25 de janeiro, uma comemoração criada pelo Papa Francisco através do Motu Proprio ‘Aperuit illis’, em 2019, para ser “dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.
“O Papa Francisco possuiu uma visão inspiradora ao instituir este Domingo, que se dedica à celebração, leitura e reflexão sobre a Palavra de Deus, chamado ‘Domingo da Palavra’, um título bonito, pois representa uma oportunidade muito pertinente e necessária para os cristãos em relação à Sagrada Escritura”, acrescentou o padre Armindo Vaz.
PR/CB/OC
| A sétima edição do ‘Domingo da Palavra de Deus’ em 2026 traz como tema ‘A palavra de Cristo habite em vós’ (Col 3,16), conforme divulgado pelo Dicastério para a Evangelização da Santa Sé, que disponibilizou um material Litúrgico-pastoral em português, contendo catequese, uma proposta pastoral, um guia para Adoração Bíblica e um esquema para a Eucaristia. |
O Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), da Igreja Católica em Portugal, está associado a esta iniciativa, disponibilizando a ‘Bíblia – Os Quatro Evangelhos e Salmos’ a um preço acessível (3,5 euros), que pode ser encomendado através do e-mail [emailprotected].
O objetivo deste organismo da Conferência Episcopal Portuguesa é incentivar que “as famílias, catequistas, jovens e movimentos eclesiais adquiram este material, pela crença de que a leitura dos Evangelhos e a oração dos Salmos fortalecem o senso de presença de Deus” nas suas vidas e no serviço ao próximo.
Em março de 2019, a CEP lançou o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português, realizada por 34 pesquisadores a partir das línguas originais, com a edição de ‘Os Quatro Evangelhos e os Salmos’.
Desde agosto de 2021, um novo livro da Bíblia é publicado mensalmente em formato digital e promovido pela Agência ECCLESIA.
A Comissão Coordenadora da Tradução da Bíblia da CEP “convida a comunidade a participar no processo de tradução e revisão deste documento e está aberta a sugestões dos leitores, visando a melhoria da clareza do texto”.
A tradução provisória de textos bíblicos está disponível para download no site da Conferência Episcopal Portuguesa, permitindo que sugestões e comentários sejam enviados para o e-mail [emailprotected].
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