
O relatório indica que a Comissão de Instrução já entrevistou 75 indivíduos, numa abordagem que evita a «repetição de testemunhos» para aqueles que já foram ouvidos
Lisboa, 27 de janeiro de 2026 (Ecclesia) – O Grupo VITA anunciou hoje que, até o presente momento, recebeu 95 solicitações de indenização financeira de vítimas de violência sexual no âmbito da Igreja Católica em Portugal, sendo que 46 dessas solicitações surgiram de primeiros contatos.
As informações fazem parte do quarto relatório de atividades do Grupo VITA, apresentado durante um seminário em Alfragide (Amadora), em uma coletiva de imprensa.
“Esses dados refletem, por um lado, a confiança que as vítimas e sobreviventes já assistidas depositam no grupo e, por outro, a habilidade do Grupo VITA em se estabelecer como ponto de entrada para novas situações”, explica a organização liderada pela psicóloga Rute Agulhas.
Entre os 95 solicitantes, a maior parte (63) é composta por homens, enquanto 32 são mulheres; o relatório destaca que 75 pessoas já passaram pela entrevista com a Comissão de Instrução, enquanto nove solicitações recentes estão sendo agendadas.
O documento esclarece que foram arquivados seis casos – por envolverem outros tipos de violência não sexual ou serem cometidos por leigos sem vínculo com a Igreja – e que dois casos não tiveram continuidade devido à falta de resposta dos denunciantes.
O Grupo VITA enfatiza que o procedimento de coleta de informações visa evitar a “revitimização”.
“Aqueles que já reportaram anteriormente a situação de abuso – seja ao Grupo VITA, às Comissões Diocesanas ou aos Institutos de Vida Consagrada – não precisam repetir seu testemunho”, afirma o relatório.
No entanto, é mencionado que “diversas pessoas expressaram o desejo de relatar novamente”, com cada entrevista geralmente durando cerca de duas horas e meia e sendo realizada em locais próximos à residência das vítimas.
O regulamento relativo a compensações financeiras é fruto de uma colaboração entre a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o Grupo VITA, e a definição dos valores a serem propostos cabe a uma comissão específica composta por sete juristas (advogados e juízes desembargadores).
Os pareceres, que são “não vinculativos”, serão apresentados, fundamentados e em sigilo, à CEP ou ao superior responsável dos Institutos de Vida Consagrada, que terá a decisão final.
Desde janeiro de 2021, a Igreja Católica em Portugal implementou novas diretrizes para a “proteção de menores e adultos vulneráveis”, ressaltando a necessidade de vigilância nas diversas atividades pastorais e da colaboração com as autoridades.
No ano de 2022, a CEP solicitou a uma Comissão Independente a realização de um estudo sobre casos de abuso sexual na Igreja em Portugal nos últimos 70 anos, que validou 512 testemunhos sobre situações de abuso, a serem apresentados em fevereiro de 2023.
Desde sua criação em 22 de maio de 2023, a Conferência Episcopal Portuguesa estabeleceu o Grupo VITA para receber denúncias de abuso, atuar na prevenção e oferecer apoio a vítimas e agressões.
Desde o início de suas atividades, o grupo registrou 850 chamadas e foi contactado por 154 vítimas e sobreviventes, além de um agressor do sexo masculino.
Além disso, foram contabilizados 43 pedidos de ajuda referentes a situações de violência que não se adequam à sua missão, podendo ser direcionados para as entidades competentes.
“Entre as necessidades frequentemente identificadas pelos vítimas e sobreviventes, destaca-se o apoio psicológico, com 34 solicitações, seguido de apoio social, com sete, e apoio psiquiátrico, com cinco”, destaca o VITA.
Um total de 86 vítimas e sobreviventes foi entrevistado individualmente, em sua maioria de forma presencial, com média de 55 anos de idade, predominando os homens e indivíduos solteiros.
As situações de vitimização relatadas ocorreram entre 1955 e 2023, com uma maior concentração nos anos de 1960, 1970 e 1980.
“Aproximadamente 30% das vítimas e sobreviventes relataram os abusos somente agora e, em cerca de 20% dos casos, a primeira revelação foi feita diretamente ao Grupo VITA”, infere o relatório anual.
OC
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