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Um satélite da NASA flagrou uma imensa onda do mar realizando algo que os cientistas não previam.

Um satélite projetado para medir a altura da superfície do oceano estava no lugar certo na hora certa quando um
<p>Um satélite da NASA flagrou uma imensa onda do mar realizando algo que os cientistas não previam.</p>

Um satélite projetado para medir a altura da superfície do oceano estava no lugar certo na hora certa quando um poderoso terremoto próximo à Península de Kamchatka, na Rússia, gerou um tsunami pelo Pacífico no final de julho.

A espaçonave, chamada de SWOT (Surface Water Ocean Topography), registrou a primeira trilha de alta resolução em espaço destinado a monitorar um grande tsunami originado em uma zona de subducção, de acordo com pesquisadores que publicaram seus achados na revista The Seismic Record.

Em vez de um simples maremoto se movendo suavemente pelo oceano, os dados do satélite revelaram um padrão de ondas surpreendentemente complexo se espalhando, interagindo e se dispersando pelo espaço aquático. Os cientistas afirmam que essa visão detalhada pode aprimorar a compreensão de como os tsunamis se deslocam e como podem, no final, impactar as costas.

Integração de dados de satélites com sensores oceânicos

Para entender melhor o evento, Angel Ruiz-Angulo, da Universidade da Islândia, e sua equipe combinaram as observações do satélite com medições de boias DART (Deep-ocean Assessment and Reporting of Tsunamis) localizadas ao longo do percurso do tsunami. Esses sensores de fundo oceânico ajudaram a aperfeiçoar as estimativas do terremoto que provocou as ondas.

O terremoto de 29 de julho ocorreu na zona de subducção Kuril-Kamchatka, alcançando uma magnitude de 8,8, tornando-se o sexto maior terremoto registrado globalmente desde 1900.

“Considero os dados do SWOT como um novo par de óculos”, disse Ruiz-Angulo. “Antes, com as boias DART, conseguíamos enxergar o tsunami apenas em pontos específicos na imensidão do oceano. Outros satélites já haviam sido usados, mas apenas conseguiam capturar uma linha fina durante a melhor das situações. Agora, com o SWOT, conseguimos captar uma faixa de até cerca de 120 quilômetros de largura, com dados de alta resolução sem precedentes da superfície do mar.”

Um satélite criado para monitorar a água, não desastres

O SWOT foi lançado em dezembro de 2022, em uma missão conjunta entre a NASA e a Agência Espacial Francesa, Centre National d’Etudes Spatiales. Seu principal objetivo é realizar o primeiro levantamento global das superfícies de água da Terra, incluindo oceanos, rios e lagos.

Ruiz-Angulo mencionou que ele e o co-autor Charly de Marez dedicaram mais de dois anos analisando os dados do SWOT para entender características cotidianas do oceano, como pequenos redemoinhos. “[Nós] passamos mais de dois anos analisando dados do SWOT para compreender diferentes processos no oceano, como pequenos redemoinhos, nunca imaginando que teríamos a sorte de capturar um tsunami.”

Reavaliando o comportamento de tsunamis gigantes

Devido ao fato de as ondas dos grandes tsunamis serem consideravelmente mais longas que a profundidade do oceano, os cientistas tradicionalmente descreveram esses fenômenos como “não dispersivos”. Em termos simples, isso significa que se espera que a onda viaje em uma única forma estável, em vez de se fragmentar em várias ondas que se espalham com o tempo.

“Os dados do SWOT para este evento desafiaram a ideia de que os grandes tsunamis são não dispersivos”, explica Ruiz-Angulo.

Ao comparar as observações do satélite com simulações computacionais, a equipe descobriu que os modelos de tsunamis que incluíam dispersão corresponderam mais aos dados do mundo real do que os modelos tradicionais.

“O principal impacto dessa observação para os modeladores de tsunamis é que estamos perdendo algo nos modelos que costumávamos utilizar”, acrescentou Ruiz-Angulo. “Essa ‘variabilidade extra’ poderia indicar que a onda principal poderia ser modulada pelas ondas subsequentes à medida que se aproxima da costa. Precisaríamos quantificar esse excesso de energia dispersiva e avaliar se isso tem um impacto que não foi considerado anteriormente.”

Um rompimento do terremoto mais longo do que o previsto

Os pesquisadores também notaram um desvio entre os tempos de chegada do tsunami previstos por modelos anteriores e as medições reais registradas por dois medidores de maré DART. Um dos sensores registrou o tsunami mais cedo do que o esperado, enquanto o outro o detectou mais tarde.

Utilizando os dados das boias em uma técnica conhecida como inversão, a equipe reavaliou a origem do tsunami. A análise sugeriu que o rompimento do terremoto se estendeu mais ao sul do que se pensava anteriormente e sequer atingiu cerca de 400 quilômetros — significativamente mais do que os 300 quilômetros estimados por outros modelos.

“Desde o terremoto de magnitude 9,0 em Tohoku-oki no Japão, em 2011, percebemos que os dados do tsunami continham informações valiosas para restringir o deslizamento superficial”, disse Diego Melgar, co-autor do estudo.

A importância da integração de dados

Após essa catástrofe em 2011, o grupo de pesquisa de Melgar e outros têm trabalhado para melhor integrar os dados das boias DART nas análises de terremotos e tsunamis. No entanto, essa abordagem ainda não é rotina.

Desde então, o laboratório de Melgar e outros têm se esforçado para incluir dados DART nas inversões, “mas isso ainda nem sempre é feito porque os modelos hidrodinâmicos necessários para modelar as boias DART são muito diferentes dos modelos de propagação de ondas sísmicas para modelar dados da Terra sólida. Contudo, como mostrado aqui, é realmente importante que misturemos o máximo de tipos de dados possível”, disse Melgar.

Aprimorando os avisos futuros de tsunamis

A zona de subducção Kuril-Kamchatka já gerou alguns dos maiores tsunamis já registrados, incluindo um evento devastador em 1952, desencadeado por um terremoto de magnitude 9,0. Essa catástrofe levou à criação do sistema internacional de alerta de tsunamis, que posteriormente emitiu alertas pelo Pacífico durante o evento de 2025.

“Com um pouco de sorte, talvez um dia resultados como os nossos possam ser utilizados para justificar a necessidade dessas observações de satélite para previsões em tempo real ou quase real”, concluiu Ruiz-Angulo.

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