
Mais tarde, o governador do Minnesota, Tim Walz, contatou Donald Trump para discutir uma “colaboração” a fim de enfrentar a situação em Minneapolis. “Foi uma chamada excelente; parece que estamos alinhados”, afirmou Trump em sua plataforma social, a Truth. “Informei [Walz] que iria sugerir a Tom Homan que entrasse em contato com ele, na busca por criminosos que estariam sob sua jurisdição. O governador, com muito respeito, entendeu, e expressou satisfação pela chegada de Tom Homan a Minnesota, o que também me alegrou”, continuou o presidente.
Tom Homan, de 64 anos, recebeu de Donald Trump, em novembro de 2024, o título de “Czar da Fronteira” para executar seu plano anti-imigração em um possível segundo mandato na Casa Branca. Homan já ocupou o cargo de diretor interino da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) entre janeiro de 2017 e junho de 2018 e, além disso, teve uma carreira policial durante a administração de Barack Obama.
A designação de Homan para Minnesota é vista como uma estratégia para mitigar a insatisfação pública em relação às ações das autoridades anti-imigração, especialmente em relação ao comandante da patrulha de fronteira, Gregory Bovino, que tem sido a voz e defensor da repressão promovida pelo ICE. No início da tarde, foi anunciado que Bovino deixaria o estado já nesta terça-feira, acompanhado de “alguns agentes”, numa decisão que parece ter sido de consenso para passar os comandos das operações em Minneapolis para Homan, conforme reportou a CNN Internacional. À noite, a The Atlantic informou que Bovino teria sido removido do cargo, citando um funcionário do Departamento de Segurança Interna e outras duas fontes. A reportagem mencionou que Bovino deveria voltar ao seu antigo posto em El Centro, na Califórnia, onde está prevista sua aposentadoria em breve. No entanto, o Departamento de Segurança Interna negou que Bovino tenha sido demitido. “Ele é uma peça fundamental na equipe do presidente e um grande americano”, declarou a porta-voz do departamento, Tricia McLaughlin.
Chief Gregory Bovino has NOT been relieved of his duties. As @PressSec stated from the White House podium, @CMDROpAtLargeCA is a key part of the President’s team and a great American. https://t.co/qj3E9B8uzg
— Tricia McLaughlin (@TriciaOhio) January 27, 2026
A decisão de enviar Homan para Minnesota foi bem recebida pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que, entretanto, defende a ação dos agentes do ICE no estado. Em janeiro, essa atuação resultou na morte de dois cidadãos americanos: Renee Good e Alex Pretti.
“Esta é uma ótima notícia para a paz, segurança e responsabilização em Minneapolis. Trabalhei com Tom ao longo do último ano e ele tem sido um grande patrimônio para a nossa equipe — sua experiência e conhecimento irão nos auxiliar nas investigações de fraudes em grande escala, que têm prejudicado os americanos, além de permitir que removamos ainda mais ameaças à segurança pública e criminosos estrangeiros violentos das ruas de Minneapolis”, mencionou a secretária em um post na rede social X.
Poucos dias após a morte de Alex Pretti em Minneapolis, foi oficialmente aberta uma investigação sobre o caso que envolveu “múltiplos agentes” do ICE. Esta investigação está sob a direção do Departamento de Segurança Interna e do FBI, que estão revisando as gravações feitas pelas câmeras de corpo de ao menos dois agentes no momento em que Pretti foi fatalmente baleado durante o protesto de sábado. Além disso, há uma investigação independente em andamento pelas autoridades locais de Minnesota.
Um representante da Casa Branca também assegurou à CNN que a chegada de Tom Homan a Minnesota não compromete a continuidade de Kristi Noem. “A secretária Noem seguirá à frente do Departamento de Segurança Interna com a total confiança do presidente. Tom Homan está em uma posição única para se dedicar exclusivamente a Minnesota para resolver os problemas gerados pela falta de cooperação das autoridades estaduais e locais”, destacou o funcionário, que não quis ser identificado.
Por outro lado, Kristi Noem reiterou o apelo à liderança democrata no estado — tendo o governador Tim Walz, ex-candidato a vice-presidente na chapa de Kamala Harris em 2024, como principal figura — para permitir a “parceria estadual e local” solicitada pela Casa Branca. Isso está relacionado ao envio de informações sobre os cidadãos do estado com base em alegações ainda não confirmadas de fraudes em larga escala.
This is good news for peace, safety, and accountability in Minneapolis.
I have worked closely with Tom over the last year and he has been a major asset to our team— his experience and insight will help us in our wide-scale fraud investigations, which have robbed Americans, and… pic.twitter.com/sLtArl1QcT
— Secretary Kristi Noem (@Sec_Noem) January 26, 2026
Além disso, essa suposta fraude foi reiterada por Donald Trump nas redes sociais, que anunciou uma investigação e mencionou perdas imensas. “Estamos conduzindo uma investigação grande sobre a fraude em benefícios sociais que ultrapassa 20 bilhões de dólares em Minnesota, que é, em parte, responsável pelos protestos violentos que estão acontecendo nas ruas”, disse.
Trump também fez críticas à congressista democrata Ilhan Omar, um de seus alvos frequentes dentro do Partido Democrata, assegurando que a representante de Minnesota também está sendo investigada pelo Departamento de Justiça e pelo Congresso. “Ela saiu da Somália sem NADA e agora possui um patrimônio avaliado em mais de 44 milhões de dólares. O tempo esclarecerá tudo”, postou.
A atuação contestável do ICE em Minnesota já está levando a reações negativas em relação ao apoio da população americana à agenda de Donald Trump sobre imigração.
Conforme uma pesquisa divulgada na segunda-feira pela YouGov e citada pela NBC, a maioria dos 3.359 entrevistados é favorável à extinção do ICE, com 46% apoiando essa ideia, enquanto apenas 41% são contrários ao fim da agência.
No mesmo estudo, realizado horas após a morte de Alex Pretti, de 37 anos, no sábado, 48% dos participantes “desaprovam fortemente” as ações dos agentes do ICE; em contrapartida, apenas 23% “aprovam fortemente” as práticas da agência. Além disso, 58% dos respondentes criticam um comportamento “excessivamente agressivo” dos agentes ao abordarem indivíduos — suspeitos ou não de imigração irregular — com base na aparência, enquanto apenas 10% consideram que “não é suficientemente agressivo”.
Enquanto alguns republicanos começam a se afastar das políticas rigorosas de imigração que afetam também as liberdades individuais de muitos americanos, Donald Trump não recuou e passou a mirar um novo alvo: as sondagens.
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