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Cientistas acabaram de desmascarar um mito de meio século sobre as aves do Havai

Uma nova pesquisa da Universidade do Havai em Mānoa está desafiando uma crença antiga sobre o desaparecimento das aves aquáticas
Cientistas acabaram de desmascarar um mito de meio século sobre as aves do Havai

Uma nova pesquisa da Universidade do Havai em Mānoa está desafiando uma crença antiga sobre o desaparecimento das aves aquáticas nativas do Havai. Os pesquisadores afirmam que não há evidências científicas que demonstrem que os povos indígenas tenham caçado essas espécies até a extinção. Publicado na revista Ecosphere, o estudo contesta essa narrativa amplamente aceita e apresenta uma explicação mais abrangente para o declínio das aves.

A equipe de pesquisa não encontrou indícios de caça excessiva. Em vez disso, eles destacam uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, espécies invasoras e alterações no uso da terra. Muitas dessas modificações ocorreram antes da chegada dos polinésios ao Havai ou após a interrupção das práticas tradicionais de manejo indígena da terra. O estudo sugere ainda que várias espécies de aves aquáticas atualmente consideradas ameaçadas podem ter atingido seus números mais altos logo antes do contato europeu, quando o manejo de áreas úmidas era uma parte central da sociedade Kānaka ʻŌiwi (hawaiana nativa).

Repensando Suposições sobre Conservação

“Grande parte da ciência é influenciada pela ideia de que os seres humanos são agentes inevitáveis de destruição ecológica, os quais arrasam a natureza por onde passam. Essa concepção moldou a narrativa dominante em conservação, que automaticamente atribui a culpa pelas extinções aos primeiros habitantes, os povos indígenas, de uma região. Mesmo quando não há evidências científicas que a sustentem, o mito de que os havaianos caçaram aves até a extinção se firmou no Havai e por décadas foi ensinado como se fosse um fato científico”, compartilha Kawika Winter, professor associado no Institute of Marine Biology (HIMB) da UH Mānoa, diretor do Heʻeia National Estuarine Research Reserve (NERR) e coautor do artigo. “Nosso estudo não apenas desmantela esse mito, mas também contribui para um crescente corpo de evidências de que o manejo indígena representa as melhores maneiras de permitir que as aves nativas prosperem em um mundo onde os humanos não vão desaparecer.”

A pesquisa revisita dados existentes enquanto desconsidera a suposição comum de que os humanos são inerentemente prejudiciais aos sistemas naturais. Dessa forma, oferece uma visão mais detalhada e equilibrada da história ecológica e ressalta a necessidade de uma interpretação mais cuidadosa na ciência da conservação.

“A ciência evoluiu a ponto de estudantes de pós-graduação estarem sendo treinados para desafiar suas próprias visões estabelecidas”, observa Kristen Harmon, autora principal do artigo que recentemente obteve um doutorado na College of Tropical Agriculture and Human Resilience (CTAHR) da UH Mānoa. “Nossa interpretação da ecologia histórica, como os sistemas ecológicos mudam ao longo do tempo, influencia nossas abordagens na solução de problemas ecológicos em escala global. Reunir informações de diferentes disciplinas e sistemas de conhecimento pode fornecer uma imagem mais precisa da realidade, o que é, em última análise, o objetivo de cada cientista.”

Manejo Indígena e Recuperação de Aves

As descobertas podem desempenhar um papel importante na formulação de estratégias de conservação em todo o Havai, especialmente para aves aquáticas ameaçadas, como ʻalae ʻula (Gallinula chloropus) e ʻaeʻo (Himantopus mexicanus knudseni). Os pesquisadores afirmam que a restauração de sistemas tradicionais pode ser crucial para ajudar essas espécies a se recuperarem.

“Estudos recentes apoiam o que os havaianos sempre souberam — que a restauração de loʻi (agrossistemas de áreas úmidas) é fundamental para trazer essas aves aquáticas de volta à abundância”, disse Melissa Price, professora associada que dirige o Wildlife Ecology Lab no CTAHR. “Se quisermos transformar nossas ilhas de ‘Capital da Extinção do Mundo’ para ‘Capital da Recuperação do Mundo’, precisamos restaurar as relações entre a natureza e as comunidades.”

Essa nova compreensão também pode ajudar a resolver tensões que existiram entre grupos de conservação e comunidades nativas havaianas, abrindo portas para abordagens mais inclusivas.

Ulalia Woodside Lee, que não participou deste projeto de pesquisa, ofereceu algumas reflexões como Diretora Executiva do The Nature Conservancy para Havai e Palmyra: “Por gerações, os havaianos nativos foram criticados por causarem a extinção de nossos preciosos pássaros nativos. Isso contribuiu para uma quebra de confiança entre a comunidade havaiana e os conservacionistas, além da exclusão dos havaianos nativos de decisões importantes de conservação. Este estudo nos ajudará a superar essas inverdades, para que possamos todos caminhar juntos rumo a um futuro mais brilhante, onde nossas espécies nativas prosperem novamente.”

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