
As entidades portuguesas ZERO, OIKOS e FEC estiveram presentes na conferência climática em Belém do Pará, Brasil, destacando “fragilidades significativas” no documento final intitulado “Mutirão”.
Belém, Brasil, 22 de novembro de 2025 (Ecclesia) – As organizações portuguesas ZERO, OIKOS e FEC, que participaram da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) no Brasil, afirmam que, apesar de “alguns aspectos positivos”, a cimeira “não conseguiu abordar o essencial”.
“O documento central da COP30, denominado “Mutirão”, um convite da presidência brasileira a uma mobilização global e a um esforço conjunto entre as Partes para enfrentar as mudanças climáticas, apresentou fragilidades relevantes, falhando em um aspecto crucial que seria estabelecer um plano para a eliminação dos combustíveis fósseis”, destacam as organizações em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
Os representantes de Portugal consideram que “a ausência de um plano de ação para a retirada dos combustíveis fósseis reflete uma submissão política aos interesses dos países produtores de petróleo, especialmente a Arábia Saudita, ou de nações que ainda defendem a necessidade de grandes quantidades de energia proveniente do carvão, petróleo e gás natural, sem adotar uma transição energética necessária, como é o caso da Índia”.
As três entidades consideram que a Transição Justa “é mencionada com algum avanço”, mas enfatizam que a falta de um “plano viável para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis torna inviável reconhecer o Mutirão como um verdadeiro pacote de justiça climática”.
“Apesar do apelo da presidência para “um verdadeiro mutirão, uma mobilização coletiva de corações, mentes e mãos para implementar o Pacote de Belém de forma rápida, justa e cuidadosa para todos”, o Plano de Ação de Gênero (GAP) não foi priorizado e apresenta muitas divergências”, dizem.
A ZERO, OIKOS e FEC acreditam que “a COP da ‘verdade’ revelou que as práticas habituais ainda dominam as negociações, onde a participação da sociedade civil foi maior em comparação aos últimos três anos, mas ainda limitada em termos de resultados”.
“A meta de restringir o aquecimento global a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais continua ameaçada, com enormes consequências e danos causados pelas mudanças climáticas, especialmente para os países em desenvolvimento”, alertam.
ZERO, OIKOS e FEC reiteram que a verdadeira transição justa só pode ser válida se fundamentada em metas concretas, financiamento adequado e mecanismos robustos que garantam que nenhuma comunidade ou região fique para trás”.
As três organizações defendem que “os debates climáticos devem assegurar uma abordagem inclusiva, financiamento adequado e mecanismos sólidos que assegurem que a justiça de gênero seja uma prioridade nas ações climáticas”.
Considerações finais da ZERO, OIKOS e FEC
A ZERO – Sistema Terrestre Sustentável foi representada por Francisco Ferreira, presidente da organização e Diretor do CENSE – Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade da NOVA FCT, e por Islene Façanha, gestora de projetos e analista de políticas nas áreas de clima e energia.
A OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento é uma ONG que propõe um desenvolvimento humano “justo e sustentável” e foi representada pelo coordenador de projetos José Luís Monteiro.
A Fundação Fé e Cooperação (FEC), ligada à Conferência Episcopal Portuguesa, esteve representada por Catarina António, gestora de projetos, e Gustavo Lopes Pereira, gestor de comunicação.
“Essa participação possibilitou um acompanhamento próximo dos desafios, tensões e oportunidades que marcaram o desfecho das negociações”, conclui o comunicado das três organizações, enviado à Agência ECCLESIA no final da COP30, um dia após o previsto.
PR
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