
O uso de sachês individuais de ketchup, maionese, sal, óleo, açúcar e outros condimentos na área de alimentação está com os dias contados na Europa. Bruxelas anunciou que esses recipientes de uso único começarão a ser abolidos a partir de agosto de 2026, em um processo gradual que culminará na proibição total em janeiro de 2030, sempre que o consumo ocorrer no local.
Essa decisão faz parte do novo Regulamento (UE) 2025/40, conhecido como PPWR (Regulamento sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens), e visa reduzir significativamente os resíduos plásticos, incentivar hábitos de consumo sustentáveis e modificar práticas profundamente enraizadas na indústria da hospitalidade e alimentação.
Cronograma progressivo até a proibição total em 2030
Segundo a legislação europeia, a retirada dos recipientes de dose única não será imediata. A partir de agosto de 2026, iniciará uma eliminação gradual, permitindo que estabelecimentos como bares, restaurantes e hotéis se ajustem sem prejudicar o funcionamento normal dos serviços.
O artigo 25.º, n.º 1, do regulamento estabelece janeiro de 2030 como a data em que ficará vedada a oferta de embalagens individuais para alimentos, cosméticos e produtos de higiene consumidos in loco. Em fevereiro de 2032, a Comissão Europeia deverá realizar uma avaliação do impacto ambiental e sanitário dessa iniciativa.
Embora a decisão tenha um escopo amplo, algumas exceções estão previstas. As embalagens individuais continuarão a ser permitidas para refeições para levar, bem como em contextos específicos, como hospitais e centros assistenciais, onde houver exigências clínicas ou de segurança alimentar.
O que será proibido — e o que fica de fora
Os tradicionais sachês de molhos e condimentos amplamente utilizados em estabelecimentos de alimentação estão incluídos na proibição, mas nem todos os formatos serão afetados. Embalagens de açúcar ou sal feitas de papel não estarão sujeitas a essa legislação, pois não caem sob as restrições relacionadas ao plástico.
No caso da Espanha, a legislação nacional ainda permite, de forma transitória, o uso de embalagens monodose fabricadas com plástico compostável certificado, de acordo com a Lei 7/2022, até que soluções definitivas sejam implementadas. Essa possibilidade permanecerá válida durante o período de adaptação previsto no regulamento europeu.
Impactos diretos na hospitalidade e na alimentação
A decisão da União Europeia terá consequências imediatas na organização dos serviços de hotelaria e alimentação. Nos hotéis, os costumeiros frascos individuais de shampoos, géis de banho e condicionadores deverão ser trocados por dispensadores fixos e recarregáveis, uma solução que já está sendo adotada por várias cadeias internacionais.
Em restaurantes e cafeterias, produtos como açúcar, leite, manteiga, compotas e molhos passarão a ser oferecidos em recipientes coletivos, dispensadores higiênicos ou embalagens reutilizáveis. Um dos principais desafios será assegurar elevados padrões de higiene e um controle rigoroso das porções, evitando desperdícios.
Além disso, os utensílios descartáveis usados no serviço à mesa, como pratos e copos de uso único, precisarão ser substituídos por alternativas reutilizáveis. Em algumas situações, poderá ser incentivado ou permitido o uso de recipientes pessoais por parte dos clientes.
Custos, adaptação e oportunidades para o setor
Muitos empreendedores do setor reconhecem que a transição exigirá um investimento considerável, especialmente na aquisição de novos sistemas de dispensação, recipientes reutilizáveis e processos de higienização. No entanto, a mudança é também vista como uma oportunidade para aprimorar práticas ambientais e reforçar a imagem de sustentabilidade diante dos clientes.
A adoção de embalagens compostáveis certificadas, que reproduzam a funcionalidade do plástico convencional sem gerar resíduos duradouros, é apontada como uma solução viável. Outra alternativa é a implementação de sistemas recarregáveis, que permitem diminuir o desperdício e, a longo prazo, reduzir os custos operacionais.
Dessa forma, a eliminação gradual das embalagens de dose única representa uma mudança estrutural na operação da restauração europeia, fazendo com que o setor precise reinventar rotinas e modelos de serviço, em um contexto onde a sustentabilidade se torna uma prioridade regulatória e social.
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