
FRANÇA: 30 anos de prisão para homem que assassinou o Padre Olivier Maire
O Tribunal de Justiça da Vendée sentenciou, na última quinta-feira, Emmanuel Abayisenga a 30 anos de reclusão pelo homicídio do Padre Olivier Maire, que ocorreu na noite de 8 para 9 de agosto de 2021, em Saint-Laurent-sur-Sèvre. A decisão inclui uma proibição perpétua de entrada em território francês.
O Padre Olivier Maire, de 61 anos e na época Superior Provincial dos Monfortinos, foi morto por um homem que ele havia acolhido em sua residência na região da Vendée. A Igreja francesa descreveu o sacerdote como “um mártir da caridade”. O julgamento de Emmanuel Abayisenga, que confessou ser o autor do crime, aconteceu de forma rápida. Começou na segunda-feira, 19 de janeiro, e o veredicto foi anunciado quatro dias depois. O réu, Emmanuel Abayisenga, originário do Ruanda, já tinha incendido a Catedral de Nantes em 2020. Enquanto aguardava o desfecho desse caso, este homem, que apresenta problemas psiquiátricos, foi recebido pela comunidade religiosa à qual o Padre Olivier pertencia. A notícia do assassinato chocou a todos, levando a Igreja francesa a reconhecer o sacerdote como um exemplo de “acolhimento incondicional a todos”. “O Padre Olivier Maire perdeu a vida em virtude de sua generosidade, tornando-se um mártir da caridade”, afirmou a Diocese de Luçon, à qual ele estava vinculado. O Papa Francisco também se referiu ao sacerdote, poucos dias após o crime, durante a audiência das quartas-feiras, quando saudou os peregrinos francófonos presentes no Vaticano. “Com profunda tristeza, soube do homicídio do Padre Olivier Maire. Meus sentimentos à comunidade religiosa dos Monfortinos de Saint-Laurent-sur-Sèvre, sua família e a todos os católicos da França. A minha união e proximidade espiritual a vocês. A todos, minha bênção”, disse o Santo Padre.
Um crime que impactou a comunidade católica
No tribunal, que realizou seu julgamento na Vendée, em La Roche-sur-Yon, não foi possível responder à pergunta mais inquietante: por que Emmanuel Abayisenga matou o Padre Olivier Maire? O tribunal não obteve resposta, uma vez que o réu optou por permanecer em silêncio durante o processo. Sabe-se, no entanto, que ele se apresentou às autoridades, em agosto de 2021, confessando o crime. De acordo com a autópsia, a vítima faleceu em decorrência de golpes severos na cabeça. Desde então, já se passaram quase quatro anos e meio, e Abayisenga, de 45 anos, permanece detido, após ser avaliado por psiquiatras. Durante as várias audiências, as testemunhas descreveram o missionário monfortino como um homem pacífico, “que personificava a não violência e a busca pela paz”, conforme afirmou Stéphane, irmão gêmeo do sacerdote. A informação sobre o assassinato do padre monfortino foi mencionada no Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa, publicado em 2023. O documento aponta que a França “ficou estarrecida” ao saber da morte violenta do sacerdote. “Mesmo em França, que outrora foi considerada um país seguro, o Padre Olivier Maire foi assassinado em 9 de agosto por um homem que ele hospedava na casa dos missionários em Saint-Laurent-sur-Sèvre, enquanto o suspeito aguardava julgamento por incêndio criminoso na Catedral de Nantes”, diz o relatório, que menciona outros incidentes ocorridos em igrejas entre 2022 e 2023, período analisado.
Incidentes em igrejas registrados pela AIS
O Relatório da Fundação AIS lista alguns desses episódios, indicando que as igrejas em França “sofreram ataques tão frequentes que, em fevereiro de 2022, o Ministério do Interior prometeu aumentar o financiamento para a segurança das igrejas católicas”. A iniciativa governamental, segundo o documento, foi uma resposta a uma série de incidentes, incluindo danos na Catedral de Saint-Denis, nas proximidades de Paris (janelas e portas quebradas), além de profanações em Bondy e Romainville, na região parisiense. Outros casos incluíram queimas de relíquias em Vitry-sur-Seine e estátuas destruídas em Poitiers. O incêndio na Catedral de Nantes, provocado por Abayisenga, ocorreu 15 meses após o catastrófico incêndio em 2019 na Catedral de Notre-Dame de Paris. Embora os bombeiros tenham conseguido controlar as chamas rapidamente, em cerca de duas horas, não foi possível salvar o famoso órgão do templo, datado de 1621, que já havia resistido à Revolução Francesa e aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial…
Padre Jacques Hamel, outro caso que abalou a França
O assassinato do Padre Olivier Maire aconteceu quase cinco anos após outro caso que também perplexou a França: o brutal homicídio do padre Jacques Hamel, que foi morto em Rouen enquanto celebrava a Missa, por dois extremistas que haviam se vinculado ao autoproclamado Estado Islâmico. A memória deste crime permanece viva na comunidade cristã. Como exemplo, no dia 21, o Papa Leão XIV, em uma mensagem à Federação dos Meios de Comunicação Católicos da França durante o Encontro Internacional São Francisco de Sales em Lourdes, destacou no contexto do Prêmio Internacional de jornalismo nomeado em homenagem ao Padre Jacques Hamel, que este sacerdote é uma fonte de inspiração, por ter sido “uma testemunha da fé até a morte”. O Papa disse que o Padre Jacques Hamel “acreditava sempre na importância do diálogo e da escuta pacífica e mútua. Ele estava convencido da urgência de estarmos próximos uns dos outros, sem exceção. Para que possamos nos conhecer, precisamos nos encontrar sem nos deixar intimidar pelas diferenças, dispostos a sermos desafiados por quem somos e pelo que acreditamos”. O Padre Jacques Hamel, que tinha mais de 80 anos, cuja história de fidelidade na fé até o martírio foi também destacada pela Fundação AIS, foi assassinado em 26 de julho de 2016, durante a celebração da Missa, na Igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, próximo a Rouen, por extremistas islâmicos, que foram depois abatidos pelas forças policiais. “Que o seu exemplo os inspire a buscarem a verdade no amor que tudo esclarece, promotores de uma comunicação inclusiva, que una o que está fragmentado, um bálsamo para as feridas da humanidade”, concluiu o Santo Padre.
Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt
(As opiniões publicadas nas seções ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são de responsabilidade de seus respectivos autores.)
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