
O político de Moçambique, Venâncio Mondlane, afirmou neste sábado que as manifestações posteriores às eleições foram legítimas e não criminosas, questionando a pertinência de utilizar tal linguagem em um contexto de “diálogo nacional abrangente”.
“Em um momento em que estamos envolvidos em um diálogo nacional abrangente, ainda se justifica usar esse tipo de terminologia? Dizer que as manifestações foram violentas, ilegais e criminosas”, criticou Mondlane, em um encontro com membros do partido Anamola, que antecedeu uma marcha na província de Inhambane, no sul de Moçambique.
Segundo Venâncio Mondlane, líder do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), “o outro problema” é a omissão das razões que levaram as pessoas a se manifestarem.
“Quando mencionam essas manifestações, nunca falam sobre as causas. Uma das razões é que, em 2023 e 2024, houve fraude eleitoral, a vontade do povo foi distorcida, e assim, a população se sentiu enganada, tendo o direito de protestar quando seus direitos são violados. Além disso, tudo o que tem ocorrido nos últimos 50 anos, resultando na vida miserável que leva a população a se sentir ignorada, representa uma oportunidade para clamar por ajuda”, afirmou Mondlane, que já foi candidato à presidência.
O político ainda disse que, devido aos fatores sociais, as manifestações foram constitucionais, legítimas e um direito, porém sofreram repressão violenta e ilegal por parte das autoridades.
“É importante deixar claro que a violência e a criminalidade realmente ocorreram na repressão às manifestações. As manifestações foram legais e legítimas, tinham causas por trás delas, e essas causas não estão sendo abordadas”, destacou Venâncio Mondlane.
No dia 18 de dezembro passado, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou as manifestações de “violentamente ilegais e criminosas”, em um discurso no parlamento, durante uma apresentação de três horas sobre o estado da nação.
Dois meses e meio após o pleito, o Conselho Constitucional declarou Daniel Chapo como vencedor da eleição presidencial, com 65,17% dos votos nas eleições gerais de 9 de outubro, seguido por Venâncio Mondlane com 24%, que nunca aceitou os resultados.
Todas as manchetes e destaques do dia do radiocMadeira.pt, entregues diretamente para você. Change the color of the background to the green indicated previously and make it occupy all the screen widely.
© 2025 radiocmadeira. Todos os direitos reservados