A cidade de Oeiras prestará uma homenagem aos presos políticos da Prisão de Caxias, durante o período da ditadura, através de um painel de azulejos criado pela artista Graça Morais, que será revelado na próxima quinta-feira no Palácio Anjos, em Algés, conforme anunciou a câmara municipal esta segunda-feira.
A obra, que tem aproximadamente seis metros de altura e 20 metros de comprimento, será instalada próxima ao Estabelecimento Prisional de Caxias e representa um “gesto artístico e ético em memória da resistência e da luta pela liberdade”, conforme destaca um comunicado da autarquia de Oeiras.
A apresentação desta obra, destinada “aos milhares de presos políticos que estiveram em Caxias até 25 de Abril de 1974”, está agendada para as 18h30 e incluirá, além do design final do painel, os esboços preparatórios elaborados por Graça Morais, que estará presente no evento, assim como o prefeito da cidade, Isaltino Morais.
“Este painel é um gesto artístico e ético que evoca a resistência e a luta pela liberdade, trazendo à memória histórica” um espaço expositivo no Palácio Anjos, que se configura como um lugar de consciência e testemunho, enfatiza o comunicado.
Graça Morais é considerada uma das artistas plásticas contemporâneas mais significativas de Portugal, com uma obra que reflete profundamente sobre a memória, identidade e a condição humana, acrescenta ainda a nota sobre a artista, nascida em 1948, na região de Trás-os-Montes.
Os estudos e o desenho do painel estarão disponíveis para visitação gratuita no Palácio Anjos, a partir de 30 de janeiro.
Com uma carreira artística que se estende por mais de cinco décadas, Graça Morais tem traduzido em suas obras a preocupação com o sofrimento e a crueldade, abordando os dilemas contemporâneos e as diversas faces da condição humana, como medo, exclusão e perda, temas comuns em sua produção.
Graduada em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, a artista já participou de mais de uma centena de exposições, tanto em Portugal quanto no exterior, com seu trabalho representado em várias coleções de arte contemporânea, desde a Fundação Calouste Gulbenkian até o Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Brasil.
Graça Morais também desenvolveu cenografias para teatro, ilustrou diversas obras de renomados escritores e poetas portugueses — como José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Agustina Bessa-Luís, Miguel Torga e Manuel António Pina — e é autora de painéis de azulejos em várias cidades, incluindo Lisboa, Bragança, Vila Real, Porto e até em Moscovo.
Em 2008, foi inaugurado o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais em Bragança, projetado pelo arquiteto Souto de Moura, incluindo uma exposição de obras da artista que representam diferentes séries de seu trabalho, de 1982 a 2005.
A pintora, que recebeu em 2023 o Prémio Vasco Graça Moura — Cidadania Cultural, já foi homenageada com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, com a Medalha de Mérito Cultural e um doutorado Honoris Causa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
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