
O Brasil repudiou hoje a “intervenção militar” dos Estados Unidos em solo venezuelano e afirmou não acreditar que a solução para a crise naquele país deva passar pela “criação de protetorados”.
Deve, ao contrário, ser buscada por meio de “soluções que respeitem a autodeterminação do povo” venezuelano, afirmou o embaixador permanente do Brasil na ONU, Sérgio Danese, que teve a oportunidade de se pronunciar durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Venezuela, apesar de não ser membro deste órgão.
Sérgio Danese descreveu a ação militar norte-americana na Venezuela e a captura do Presidente Nicolás Maduro como “um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional como um todo”.
O diplomata, que falou em nome da maior nação latino-americana, reiterou a posição do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que declarou que a operação militar “transcendia uma linha inaceitável” e representava uma “grave ofensa à soberania” da Venezuela.
Danese defendeu que o futuro da Venezuela deve ser definido pelo povo venezuelano “por meio do diálogo e sem interferências externas”, respeitando integralmente o direito internacional.
Ele também destacou que a intervenção militar, ordenada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “evoca capítulos da história” que se pensava terem sido superados, cujas ações no “passado” resultaram em “consequências profundamente negativas e duradouras”, como “graves violações dos direitos humanos”, com um saldo de “milhares” de mortos, desaparecidos e casos de tortura.
“As normas que orientam a convivência entre as nações são obrigatórias e universais, não aceitando exceções por conta de interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra natureza. Não se pode permitir que a exploração de recursos, sejam naturais ou econômicos, justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, declarou Danese.
Ao enfatizar que a América do Sul e o Caribe têm uma história de “zona de paz”, o diplomata apelou ao Conselho de Segurança da ONU para que “assuma sua responsabilidade e reaja com firmeza, clareza e de acordo com o direito internacional”.
O Brasil é, junto com o Japão, o país sem assento permanente que mais vezes fez parte do Conselho de Segurança, acumulando um total de onze mandatos, sendo o último no biênio 2022-2023.
Dada sua atual posição, a delegação brasileira pode solicitar o uso da palavra para expressar sua opinião, mas não possui direito a voto nas resoluções.
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