
Na última segunda-feira, o líder da Ucrânia manifestou que o plano de paz de 20 pontos, em negociação com os Estados Unidos, deve ser submetido a um referendo, permitindo que os cidadãos ucranianos tomem uma decisão direta sobre os termos que poderão levar ao fim do conflito. Essa posição foi exposta durante uma coletiva de imprensa virtual, realizada por meio de uma conversa com jornalistas através de uma plataforma de mensagens.
Volodymyr Zelensky esclareceu que a realização de um referendo nacional requer, obrigatoriamente, um cessar-fogo com duração mínima de 60 dias, enfatizando que somente um período de estabilidade garantiria a organização de uma consulta pública com segurança e legitimidade democrática.
Questões centrais ainda sem resolução
Embora haja um plano detalhado com 20 pontos, o presidente ucraniano admitiu que persistem duas questões principais sem solução: o funcionamento da usina nuclear de Zaporizhia, localizada no sul do país e sob controle russo, e a situação dos territórios da região do Donbass, reivindicados por Moscovo.
“Duas questões permanecem: como funcionará a usina nuclear de Zaporizhia e a questão territorial. Essas são as duas problemáticas que ainda precisam ser abordadas”, afirmou Zelensky, ressaltando que “não há consenso” sobre esses pontos cruciais.
A regra de emergência só será suspensa após garantias de segurança
Zelensky também reiterou que a lei marcial vigente — que, entre outras coisas, proíbe os homens mobilizados de deixar o país — só será suspensa após o fim efetivo da guerra e a obtenção de garantias de segurança robustas para a Ucrânia.
“Desejamos todos que a guerra chegue ao fim e, somente então, a lei marcial será suspensa. No entanto, essa suspensão ocorrerá quando a Ucrânia obter garantias de segurança. Sem essas garantias, esta guerra não poderá ser considerada plenamente encerrada”, declarou.
Trump teria oferecido garantias por 15 anos
O presidente ucraniano também revelou que, durante a reunião de domingo, o presidente americano Donald Trump confirmou a disposição dos Estados Unidos em fornecer “fortes garantias de segurança” à Ucrânia por um período inicial de 15 anos, com chance de prorrogação.
“Eu gostaria que essas garantias fossem mais extensas. E disse [a Trump] que queremos avaliar a possibilidade de 30, 40, 50 anos”, compartilhou Zelensky, acrescentando que o presidente norte-americano se comprometeu a considerar essa proposta.
Para o líder ucraniano, uma das garantias mais eficazes incluiria o envio de tropas estrangeiras para o território ucraniano, como uma forma de dissuasão contra futuras agressões da Rússia.
“Para ser sincero, sim. Acredito que a presença de forças internacionais representa uma verdadeira garantia de segurança, um reforço das garantias que nossos aliados já nos oferecem”, afirmou.
Zelensky também expressou a expectativa de que um encontro em território ucraniano entre representantes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Europa aconteça em breve, com o objetivo de acelerar as negociações para o término do conflito.
“Nos próximos dias, pretendemos organizar uma reunião em nível de conselheiros. [O negociador ucraniano] Roustem Oumerov já está em contato com todos os conselheiros americanos e europeus. Queremos que essa reunião seja realizada finalmente na Ucrânia, e acredito que faremos o possível para que isso aconteça”, declarou.
O presidente ucraniano enfatizou que é fundamental que um eventual acordo de paz seja assinado não apenas pela Ucrânia e pela Rússia, mas também pelos Estados Unidos e pelos países europeus, reforçando sua natureza internacional e vinculativa.
Ao final da coletiva, Zelensky acusou o presidente russo de manter uma postura contraditória, afirmando que as ações militares russas não correspondem ao discurso “pacífico” que Vladimir Putin teria apresentado a Donald Trump.
“De um lado, [Putin] diz ao presidente dos Estados Unidos que deseja acabar com a guerra”, disse. “Por outro, comunica abertamente à mídia que quer continuar o conflito — nos ataca com mísseis, fala abertamente sobre isso, celebra a destruição de infraestruturas civis, dá instruções a seus generais sobre como agir”.
“Essas ações não se alinham com a retórica supostamente pacífica que ele utiliza em suas conversas com o presidente dos Estados Unidos”, concluiu.
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