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Estudando ADN, descoberta revela que humanos chegaram à Austrália há 60 mil anos.

Uma ampla colaboração internacional entre pesquisadores da Universidade de Huddersfield e da Universidade de Southampton trouxe novas perspectivas sobre quando
Estudando ADN, descoberta revela que humanos chegaram à Austrália há 60 mil anos.

Uma ampla colaboração internacional entre pesquisadores da Universidade de Huddersfield e da Universidade de Southampton trouxe novas perspectivas sobre quando e como os humanos modernos, Homo sapiens, povoaram pela primeira vez a Nova Guiné e a Austrália.

O projeto uniu especialistas em arqueogenética e arqueologia marítima, com apoio financeiro do Conselho Europeu de Pesquisa concedido à Professora Helen Farr da Universidade de Southampton. A análise genética foi liderada pelo Professor Martin Richards da Universidade de Huddersfield.

Sahul Antigo e Migração Humana Precoce

Durante a última Idade do Gelo, os níveis do mar global eram significativamente mais baixos do que hoje. Naquele período, a Nova Guiné e a Austrália formavam uma única massa terrestre chamada Sahul. Cientistas têm debatido por muito tempo quando os primeiros povos chegaram a esse continente antigo e quais rotas utilizaram para alcançar suas terras.

Para abordar essas questões, a equipe de pesquisa combinou conhecimentos de diversas disciplinas, incluindo genética, arqueologia, ciências da terra e oceanografia. O objetivo era compreender melhor quem eram esses primeiros migrantes, de onde vieram e quando realizaram essa jornada.

Debate sobre Cronologia Longa versus Curta

É amplamente reconhecido que os ancestrais dos habitantes da Nova Guiné e dos australianos aborígenes vivem em Sahul há dezenas de milhares de anos. Muitos aborígenes australianos mantêm uma conexão cultural profunda com a terra que reflete essa longa história.

No entanto, os cientistas nem sempre concordaram sobre a data exata do primeiro assentamento. Existem duas principais teorias. A “cronologia longa” sugere que os humanos chegaram há cerca de 60.000 anos, enquanto a “cronologia curta” propõe uma chegada posterior, em torno de 45.000 a 50.000 anos atrás.

Para investigar esse debate, a equipe de pesquisa analisou o DNA mitocondrial humano (mtDNA), que é transmitido pela linha materna. Como o mtDNA acumula alterações ao longo das gerações, ele pode ser utilizado para reconstruir linhagens familiares detalhadas que se estendem por longos períodos.

Provas de DNA Indicam Chegada Mais Antiga

A equipe estudou quase 2.500 genomas de mtDNA de australianos aborígenes, habitantes da Nova Guiné e populações do Sudeste Asiático e do Pacífico ocidental. Ao construir uma árvore genealógica genética e rastrear como as linhagens se espalharam entre as regiões, eles puderam estimar quando diferentes grupos se divergiram.

Utilizando a acumulação gradual de mudanças genéticas, conhecida como “relógio molecular”, os pesquisadores dataram as linhagens mais antigas encontradas apenas entre australianos aborígenes e habitantes da Nova Guiné para cerca de 60.000 anos atrás. Isso fornece forte apoio ao modelo de cronologia longa.

Múltiplas Rotas para Sahul

As evidências genéticas também revelaram a origem dessas populações antigas. As linhagens mais antigas têm suas raízes no Sudeste Asiático, mas não vêm de um único local.

A maioria das linhagens é apontada para áreas do norte, como o norte da Indonésia e as Filipinas. Ao mesmo tempo, uma parte significativa se origina de regiões do sul, incluindo o sul da Indonésia, Malásia e Indochina. Esse padrão sugere que os primeiros humanos provavelmente entraram em Sahul por meio de pelo menos duas rotas migratórias distintas, ocorrendo quase simultaneamente.

Importância das Descobertas

Esses resultados são significativos, pois se alinham bem com evidências arqueológicas e ambientais. Nos últimos anos, alguns estudos genéticos começaram a favorecer uma chegada mais recente, mas esta nova análise oferece forte suporte para uma linha do tempo anterior.

O Professor Richards comentou: “Acreditamos que isso é um forte suporte para a cronologia longa. No entanto, as estimativas baseadas no relógio molecular podem sempre ser contestadas, e o DNA mitocondrial é apenas uma linha de descendência. Estamos atualmente analisando centenas de sequências do genoma humano completo – 3 bilhões de bases cada, em comparação com 16.000 – para testar nossos resultados contra as milhares de outras linhagens de descendência ao longo do genoma humano. No futuro, haverá mais descobertas arqueológicas, e também podemos esperar que DNA antigo seja recuperado de restos-chave, para que possamos testar esses modelos de forma mais direta e diferenciá-los.”

A Professora Farr acrescentou: “Esta é uma história fascinante que ajuda a refinar nossa compreensão sobre as origens humanas, mobilidade marítima e as narrativas de navegação precoce. Reflete a profunda herança que as comunidades indígenas têm nesta região, bem como as habilidades e tecnologias desses primeiros navegadores.”

Pesquisa Publicada e Trabalhos Futuros

Os achados foram publicados na revista Science Advances, editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência. Um estudo relacionado liderado pelo Dr. Pedro Soares da Universidade do Minho, que testou a confiabilidade dos métodos do relógio molecular utilizados na análise, foi publicado em Scientific Reports.

Conjuntamente, esses estudos oferecem uma visão mais clara de uma das primeiras e mais notáveis migrações da humanidade.

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