
Durante cerca de 10.000 anos, comunidades agrícolas têm aprimorado suas culturas ao conservar sementes de plantas que apresentam sabor, tamanho e resistência superiores. Esse processo lento e cuidadoso moldou praticamente todas as frutas e vegetais disponíveis nos mercados atualmente. A maioria das colheitas modernas é fruto de séculos, ou até milênios, de reprodução seletiva.
Doutores do Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL) acreditam ter encontrado um modo muito mais ágil de direcionar o desenvolvimento agrícola. Utilizando a ferramenta de edição genética CRISPR, biólogos vegetais se concentraram na goldenberry, uma fruta pequena relacionada aos tomates. Essa abordagem pode facilitar o cultivo e o manejo desta planta, abrindo possibilidades para a agricultura em larga escala tanto nos EUA quanto globalmente. A mesma estratégia poderia também acelerar o desenvolvimento de culturas que resistem melhor a doenças, pragas e secas.
“Com o uso do CRISPR, abrimos caminhos para novas opções alimentares mais resilientes”, afirmou Blaine Fitzgerald, técnico de estufa no laboratório de Zachary Lippman, do CSHL. “Em uma era de mudanças climáticas e aumento populacional, trazer inovação para a produção agrícola será um grande avanço.”
Desafios no Cultivo de Goldenberries
O laboratório Lippman se concentra em plantas da família das solanáceas, que inclui culturas básicas como tomates, berinjelas e batatas, além de espécies menos conhecidas, como as goldenberries. Essas frutas são predominantemente cultivadas na América do Sul e estão se tornando mais populares devido ao seu valor nutricional e ao equilíbrio entre sabores doce e ácido. Alguns consumidores podem já reconhecê-las nas prateleiras dos supermercados.
Apesar de seu atrativo, as goldenberries continuam sendo difíceis de cultivar em larga escala. Os agricultores ainda dependem de plantas que “não são verdadeiramente domesticadas”, disse Miguel Santo Domingo Martinez, um pesquisador pós-doutoral do laboratório Lippman que liderou o estudo.
“Essas plantas enormes e espalhafatosas em um ambiente agrícola são complicadas para a colheita”, explicou Fitzgerald.
Reduzindo o Tamanho da Planta sem Perder o Sabor
Trabalhos anteriores do laboratório Lippman usaram CRISPR para modificar tomates e outro parente do tomate chamado groundcherry, resultando em plantas menores e mais fáceis de cultivar em ambientes urbanos. Com base nessa experiência, a equipe editou genes semelhantes nas goldenberries. As plantas modificadas foram cerca de 35% menores, o que facilitou seu manejo e permitiu que os agricultores as cultivassem em maior densidade.
Os pesquisadores então se concentraram no sabor. Para identificar as melhores frutas, colheram goldenberries diretamente do campo. Fitzgerald descreveu o processo como comer “centenas delas, caminhando por um campo e experimentando frutas de cada planta na fileira.”
Novas Variedades e Próximos Passos
Depois de várias gerações de reprodução, a equipe desenvolveu duas linhagens promissoras de goldenberries que combinavam crescimento compacto com um sabor marcante. Embora as frutas fossem ligeiramente menores, os pesquisadores acreditam que há espaço para melhorias utilizando as mesmas ferramentas de edição genética.
“Podemos tentar focar no tamanho da fruta ou na resistência a doenças,” disse Santo Domingo. “Podemos utilizar essas ferramentas modernas para domesticar culturas ainda não domesticadas.”
O próximo passo é obter a aprovação regulatória, que permitirá aos produtores acessar as sementes e começar a produzir as novas variedades de goldenberries em uma escala mais ampla.
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