
O pacto que permitiu ao TikTok escapar da proibição nos Estados Unidos trouxe à tona novas interrogações sobre quem realmente detém o controle da aplicação, especialmente em relação ao seu algoritmo e à possível influência do governo chinês sobre os conteúdos acessados por milhões de usuários norte-americanos.
Quais são as mudanças resultantes do novo acordo sobre o TikTok nos EUA?
O TikTok evitou ser proibido nos Estados Unidos por meio de um entendimento avaliado em 14 bilhões de dólares entre sua empresa-mãe chinesa, a ByteDance, e um grupo liderado por investidores norte-americanos. O acordo foi sancionado pelo presidente Donald Trump através de uma ordem executiva em setembro, após conversas diretas com o presidente chinês, Xi Jinping, sendo considerado parte de um esforço mais amplo para facilitar um acordo comercial entre Washington e Pequim.
Com a finalização do acordo, foi estabelecida uma nova entidade chamada TikTok USDS (U.S. Data Security) Joint Venture LLC, que assume a responsabilidade pela segurança dos dados dos usuários nos Estados Unidos, além de ajustar o algoritmo ao contexto de conteúdos da América do Norte.
Quem passa a ter controle do TikTok nos EUA?
A nova joint venture será administrada por investidores americanos e obtém a licença para operar o TikTok em território norte-americano. Três investidores de destaque — Oracle, Silver Lake e a empresa de inteligência artificial MGX, dos Emirados Árabes Unidos — possuem, juntas, uma participação de 15% na companhia.
A ByteDance reduz sua participação para 20%, tornando-se acionista minoritária. Contudo, ela mantém a propriedade da tecnologia fundamental da plataforma, incluindo o algoritmo de recomendação, que é licenciado à nova entidade nos Estados Unidos.
Por que o algoritmo continua gerando preocupações?
A ByteDance mantendo a propriedade do algoritmo é um dos principais pontos de crítica em Washington. Muitos analistas e legisladores afirmam que essa estrutura permite que a China mantenha uma influência indireta sobre os conteúdos divulgados aos usuários americanos.
Michael Sobolik, pesquisador sênior do Hudson Institute, descreve o acordo como uma “capitulação a Pequim”. Ele declarou à Newsweek que, se a nova entidade apenas licencia o algoritmo, os investidores americanos não terão a capacidade de promover ou censurar conteúdos políticos, mantendo essa alavanca nas mãos de Pequim, algo que considera “extremamente preocupante”.
O governo chinês pode utilizar o TikTok para divulgação de propaganda?
A possibilidade de o Partido Comunista Chinês influenciar o algoritmo é uma das principais preocupações levantadas por críticos do pacto. Legisladores republicanos destacam o risco de que a plataforma seja usada para promover narrativas favoráveis a Pequim e suprimir conteúdos sensíveis, como os referentes a Xinjiang ou à Praça Tiananmen.
John Moolenaar, presidente da Comissão Especial da Câmara dos Representantes para a China, declarou que “o Partido Comunista Chinês não pode ser autorizado a usar uma aplicação para dividir e enfraquecer nosso país”. O congressista questionou se o acordo realmente assegura que a China não terá mais influência sobre o algoritmo e se os dados dos cidadãos americanos estarão efetivamente protegidos.
Qual é a resposta do TikTok a essas críticas?
A TikTok USDS tenta acalmar as autoridades, assegurando que irá “requalificar, testar e atualizar” o algoritmo com base exclusivamente nos dados de usuários americanos. De acordo com a empresa, os dados serão armazenados em uma infraestrutura de computação em nuvem gerenciada pela Oracle, que possui contratos de longa duração com o Pentágono e a CIA.
A TikTok, a Oracle e a Casa Branca foram abordadas para comentar sobre o acordo, mas não se pronunciaram em relação aos pedidos de esclarecimento.
Como se chegou a esse acordo?
A controvérsia em torno do TikTok teve início em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, em um cenário de degradação das relações entre os Estados Unidos e a China, caracterizado por disputas comerciais e tensões políticas, incluindo a situação em Hong Kong. Nesse período, o TikTok experimentava um crescimento exponencial, com sua base global de usuários quase quintuplicando em apenas um ano.
As suspeitas aumentaram em função da legislação chinesa que obriga as empresas a cooperar com o Estado em questões de dados. Países como a Índia bloquearam a aplicação, enquanto outros, como o Reino Unido e o Canadá, proibiram seu uso em dispositivos governamentais.
O acordo elimina os riscos à democracia americana?
Para alguns especialistas, as preocupações podem estar sendo exageradas. Kenton Thibaut, pesquisadora sênior do Atlantic Council, acredita que a ByteDance deve preservar o controle do algoritmo, mas questiona se isso terá um impacto significativo no cenário da propaganda chinesa.
Segundo a especialista, o Partido Comunista Chinês já realiza operações de influência em outras plataformas americanas e continuará fazendo isso, independentemente de haver ou não TikTok nos Estados Unidos. Ela afirma ainda que a coleta de dados pelo TikTok não é substancialmente diferente da realizada por outras grandes empresas de tecnologia, nem representa a principal fonte de informações que a China tem sobre cidadãos americanos.
O TikTok ainda é popular nos Estados Unidos?
Apesar das controvérsias, o TikTok continua a ser uma plataforma dominante no consumo global de conteúdos digitais. A aplicação conta com aproximadamente dois bilhões de usuários em todo o mundo, incluindo cerca de 200 milhões nos Estados Unidos e cerca de 7,5 milhões de contas empresariais no país.
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