João Cotrim de Figueiredo declarou esta tarde que, se fosse o Presidente, convidaria Luís Montenegro a Belém e sugeriria a demissão da ministra da Saúde, em uma conversa particular. Caso o primeiro-ministro não seguisse sua recomendação, o que faria? “Nada. É por isso que a Constituição determina que o Presidente da República não possui poderes executivos, não pode impor”, respondeu o candidato.
“Pode se constituir em um contrapoder? Pode, mas isso tem custos no futuro. Saber exercer a autoridade é tão crucial quanto conhecer os limites dos poderes que se pode exercer”, justificou. “Se eu fizesse uma sugestão muito contundente, e ela não fosse considerada, não iria fazer escândalo”.
O ex-líder da Iniciativa Liberal opinou que o caso de Ana Paula Martins representa uma combinação de negligência profissional com falta de percepção das proporções políticas. E chegou ao limite: “Pensar que 100 ambulâncias, que são muitas, não fariam diferença neste momento crítico, beira o que eu considero a incapacidade política para manter o cargo de ministra”.
Horas antes, em Pedrógão Grande, o eurodeputado Liberal atreveu-se a afirmar que Marques Mendes não é o candidato que o Governo de Luís Montenegro preferiria. “Se o Governo realmente quer implementar reformas, tem em mim um aliado muito mais confiável e contínuo do que teria com qualquer outro”, enfatizou Cotrim de Figueiredo, respondendo à crítica de Marques Mendes de que os outros candidatos causariam instabilidade.
Na parte da tarde, reafirmou a mesma ideia, apresentando um desafio claro: “Qual foi o único candidato nesta eleição presidencial que declarou sem hesitação que promulgaria o pacote laboral? E esse candidato é o que está mais alinhado com o Governo que deseja realizar reformas. Esse candidato não foi Marques Mendes”.
No mesmo dia, com quatro horas de diferença, fez essa tentativa de conquistar o eleitorado que deu a vitória a Montenegro, sinalizando que não seria um obstáculo à governabilidade e ajudaria a promover reformas políticas, além de expor o que faria se já estivesse em Belém (chamar Montenegro para solicitar a demissão da ministra da Saúde), garantindo que respeitaria a decisão do primeiro-ministro sem fazer escândalos — outra maneira de tentar atrair os eleitores da AD.
O ex-presidente da Iniciativa Liberal também expressou sua “tristeza” ao observar o momento mais tenso do debate de ontem, entre Gouveia e Melo e Marques Mendes: “Gostaria que isso não tivesse ocorrido nesta fase, o que realmente importava era que os portugueses estivessem esclarecidos e com uma decisão tomada, ou, se estivessem indecisos entre dois candidatos, que esses debates fossem uma oportunidade para confrontar posições concretas sobre o exercício da função de Presidente da República, mais do que ataques pessoais”.
Cotrim Figueiredo também fez um apelo à Procuradoria Geral da República, para que “esclareça rapidamente se há ou não fundamentos para levantar dúvidas sobre a conduta de um dos candidatos”, referindo-se às novas informações sobre os contratos assinados por Gouveia e Melo na Marinha.
João Cotrim de Figueiredo conversou com jornalistas após uma visita ao memorial de Souto Moura, em homenagem às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande. Ele manifestou que gostaria de ver obras de Souto Moura espalhadas por todo o território nacional, mas considerou que os 3 milhões de euros gastos no memorial deveriam ter sido melhor aplicados na revitalização daquela área. Ao lado da presidente da associação das famílias afetadas, Dina Duarte, ele enfatizou a importância de o Estado se preparar em janeiro para a prevenção de incêndios.
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