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D. António Augusto Azevedo remove óculos preconceituosos e sugere formação centrada nas indivíduos reais e suas feridas

O líder da Comissão Episcopal da Educação Cristã e da Doutrina da Fé enfatiza que a Igreja adota uma abordagem
<p>D. António Augusto Azevedo remove «óculos preconceituosos» e sugere formação centrada nas «indivíduos reais» e suas feridas</p>

O líder da Comissão Episcopal da Educação Cristã e da Doutrina da Fé enfatiza que a Igreja adota uma abordagem distinta às intervenções políticas e pessoais, durante um encontro que também abordou a prevenção de atos violentos.

Fátima, 09 de janeiro de 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé declarou hoje, em Fátima, que a catequese deve se opor a “discurso de ódio” direcionado a migrantes, priorizando o acolhimento de “indivíduos concretos”, que frequentemente carregam traumas e experiências de violência.

“Nós trabalhamos com pessoas reais e, como ninguém, estamos cientes da realidade porque conhecemos seus relatos e suas vidas, o que faz toda a diferença. Outros tipos de discurso são, na verdade, frequentemente distantes da realidade”, afirmou D. António Augusto Azevedo à Agência ECCLESIA, durante o encontro de líderes diocesanos organizado pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).

O bispo de Vila Real frisou que a missão da Igreja se diferencia das abordagens políticas ou sociológicas.

“Muitas vezes, certos ambientes não propiciam uma análise humana, real e séria dos desafios, sendo abordagens que, desde o início, são filtradas por ideologias.”, alertou.

Segundo o religioso, é crucial que os catequistas reconheçam que as crianças que se apresentam nas paróquias “têm histórias”. A fé deve ser vista como uma resposta para “ultrapassar traumas”, que podem resultar de caminhos migratórios difíceis ou de violência familiar e social.

“A catequese precisa levar em conta essa realidade específica, as experiências familiares, os dilemas pessoais e os traumas que impactam a vida dessa nova geração”، acrescentou.

A irmã Arminda Faustino, coordenadora do Departamento de Catequese do SNEC, destacou a relevância desses temas, explicando a escolha de “migrações” e “prevenção da violência” para a reunião que uniu os secretariados das 20 dioceses de Portugal.

Em conversa com a Agência ECCLESIA, irmã Arminda destacou que o intuito é preparar as estruturas diocesanas para que possam apoiar os catequistas que estão “diretamente no campo”, assegurando que ninguém permaneça indiferente às “constantes transformações” da sociedade.

“Temos um vasto e rico campo de oportunidades; é essencial que nossas ações e gestos estejam próximos dessas pessoas, fazendo a diferença para que elas se sintam acolhidas e nós também estejamos confortáveis com elas”, finalizou a coordenadora do SNEC.

O Secretariado Nacional da Educação Cristã organizou um encontro para líderes diocesanos de catequese no Centro Catequético de Fátima, onde refletiram sobre “migrações” e “prevenção da violência” no contexto eclesial, reunindo cerca de 45 participantes.

LJ/OC

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