
O bispo da diocese destacou que a «estrela guia os Magos, mas é a Palavra que lhes indica o local exato»
Beja, 05 de janeiro de 2026 — Durante a missa que presidiu na igreja do Carmo, na Paróquia de São João Baptista, o bispo de Beja, D. Fernando Paiva, enfatizou neste domingo a inter-relação entre fé e razão, evidenciada na Epifania.
“Bento XVI ressaltou várias vezes que uma fé que afasta a razão não é completamente humana, e que uma razão que ignora Deus perde o sentido. A Epifania nos revela precisamente esse encontro: a razão em busca encontra a fé; o conhecimento humano se encontra com o Verbo que se fez carne”, afirmou em sua homilia, divulgada no site da diocese.
Ao celebrar a Solenidade da Epifania, o bispo sublinhou que a jornada dos Magos reflete a maneira como os cristãos se aproximam de Deus.
“S. João Crisóstomo afirma que a estrela guiou os Magos até a Judeia, mas não ao seu destino exato. Para alcançar Belém, foi necessário ouvir a Palavra, consultar as Escrituras e acolher a Revelação”, destacou.
D. Fernando Paiva de forma clara mencionou que “a estrela conduziu” os sábios até Jerusalém, enquanto “a Palavra os levou a Belém”.
De acordo com o bispo, essa trajetória também ajuda a “compreender a relação entre fé e razão, frequentemente mal interpretada” nos dias de hoje.
A fé cristã nunca se opôs à razão; pelo contrário, sempre afirmou que fé e razão devem caminhar lado a lado”, recordou.
D. Fernando Paiva citou São João Paulo II que, na encíclica Fides et Ratio (Fé e Razão), escreveu que “fé e razão são como duas asas que permitem ao espírito humano elevar-se para contemplar a verdade”.
“Quando a razão se fecha ao transcendente, perde-se. Quando a fé ignora a razão, corre o risco de se distorcer”, acrescentou.
O bispo diocesano também disse que os Magos nos ensinam a “não temer a busca, a questionar e a caminhar”, assim como a “sabedoria de ajoelhar-se, reconhecendo que a Verdade não é algo a ser dominado, mas Alguém a ser acolhido”.
“A Epifania é a celebração da universalidade da salvação. Os pastores na noite de Natal simbolizam Israel; os Magos representam os povos pagãos. Alguns vêm de perto, outros de longe. Mas todos chegam ao mesmo Senhor e se ajoelham diante do mesmo Menino para adorá-lo”, comentou.
Ao concluir sua homilia, D. Fernando Paiva desejou que a participação na celebração da Solenidade da Epifania inspire todos a serem, como os Magos, “homens e mulheres em movimento, com uma fé que não teme a razão e uma razão que se abre à luz de Cristo, a Luz do Mundo, que continua a se manifestar” entre todos, despertando “o desejo de adoração”.
“Que essa dimensão universal, tão presente nas leituras que ouvimos, molde nossos corações para que, na obediência à vontade de Deus, possamos ser discípulos missionários e instrumentos neste mundo em que vivemos”, concluiu.
A Epifania, termo de origem grega que significa ‘luz’ ou ‘manifestação’, é comemorada sempre em 6 de janeiro em países onde é feriado civil; em outras nações, é celebrada no segundo domingo após o Natal, como ocorre hoje em Portugal; popularmente, a festa do calendário litúrgico católico é conhecida como Dia de Reis.
LJ/OC
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