
Ao longo dos tempos, a prática de tomar banho variou entre a obrigação e o desgosto. Na Antiga Roma, as banheiras públicas eram sociedades vibrantes, frequentadas por indivíduos de todas as esferas sociais. Em contrapartida, na Europa do início da era moderna, o contato com água pura gerava temor, pois existia a crença de que provocava enfermidades. Somente posteriormente o ato de higienizar-se passou a ser visto como fundamental — um símbolo de prazer e modernidade.
Essa transformação cultural suscita uma reflexão: o que ocorre quando as pessoas optam por não se limpar?
Relatos de quem abandonou a água
O iraniano Amou Haji, conhecido como o “homem mais imundo do planeta”, viveu mais de cinquenta anos sem entrar em contato com água ou sabão. Ele acreditava que se limpasse, adoeceria. Com o corpo envolto em sujeira e um modo de vida recluso, Haji se alimentava de carne podre e fumava diversos cigarros simultaneamente.
Após décadas de resistência, acabou sucumbindo à pressão dos vizinhos e decidiu tomar um banho — meses depois, faleceu aos 94 anos. Apesar das conjecturas de que a higiene teria contribuído para seu falecimento, não existem comprovações científicas que sustentem essa afirmação.
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Outro exemplo é Kailash Singh, um agricultor indiano que não se lava e não escova os dentes há mais de 35 anos. De acordo com o ‘IFLScience’, Singh acredita ter recebido a bênção de um vidente que lhe garantiu um filho caso evitasse a água. Para “purificar-se”, ele realiza um “banho de fogo”: acende uma fogueira diariamente, convicto de que as chamas eliminam os germes.
Histórias semelhantes existem há séculos. No século XVIII, Nathaniel Bentley, um londrino apelidado de “Dirty Dick”, se destacou por recusar-se a tomar banho após a morte trágica de sua noiva. Sua residência e armazém eram tão sujos que as correspondências endereçadas a “O Armazém Imundo, Londres” chegavam corretamente.
Quando a falta de higiene representa um perigo
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Conforme a dermatologista Samantha Eisman, mencionada pelo ‘IFLScience’, a pele humana abriga um “delicado equilíbrio” entre bactérias benéficas e organismos que podem ser prejudiciais. Tanto a lavagem excessiva quanto a falta dela podem desestabilizar esse equilíbrio natural.
A consequência imediata da ausência de banhos é o odor corporal, resultante da acumulação de suor e bactérias. Entre estas, destaca-se o Staphylococcus aureus, microrganismo relacionado a infecções cutâneas que, em situações graves, podem ser fatais.
A carência de higiene também causa um acúmulo de células mortas na pele — uma camada chamada estrato córneo, que torna a superfície mais espessa e rígida. Além disso, a falta de lavagem das mãos aumenta o risco de contagio de doenças, especialmente em períodos de gripes ou Covid-19.
As enfermidades que podem se agravar sem banhos
Dentre as condições dermatológicas que pioram com a falta de higiene, Eisman destaca:
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– Acne, causada pela oleosidade e inflamação dos poros;
– Dermatite atópica e eczema, caracterizados pela secura e irritação da pele;
– Dermatite seborreica, associada à caspa e inflamação do couro cabeludo;
– Infecções cutâneas, como foliculite e úlceras;
– Hidradenite supurativa, uma doença inflamatória crônica.
Excesso de higiene também apresenta riscos
No entanto, o oposto extremo também é prejudicial. Banhar-se várias vezes ao dia pode ocasionar eczema, pele seca e rosácea. A especialista sugere banhos curtos, em água morna, utilizando sabonetes sem fragrância e garantindo a hidratação imediata após a limpeza.
A frequência ideal de banhos varia de pessoa para pessoa. Alguns defendem a necessidade de banhos diários, enquanto outros acreditam que fazê-lo duas ou três vezes por semana é suficiente. O importante, conforme a concordância dos dermatologistas, é prestar atenção ao corpo e ajustar os hábitos de higiene às necessidades individuais.
Seja no esplendor das termas romanas ou nas crenças peculiares de quem recusa a água, o banho continua a ser um reflexo cultural e biológico. A ciência revela que tanto a limpeza excessiva quanto a sua ausência podem prejudicar o equilíbrio natural da pele — e, no fim, a chave está no meio-termo.
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