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Haverá um Amanhã para a Celebração?

Padre Vítor Pereira, Diocese de Vila Real Padre Vítor Pereira, Diocese de Vila Real O tema pode parecer provocativo, mas
<p>Haverá um Amanhã para a Celebração?</p>

Padre Vítor Pereira, Diocese de Vila Real

Padre Vítor Pereira, Diocese de Vila Real

O tema pode parecer provocativo, mas estou plenamente convencido de que a Missa tem um futuro promissor, pois a Igreja não existe sem a Missa. Se a Igreja sobreviveu por dois mil anos, certamente resistirá por muitos mais. Esta afirmação é feita com sinceridade, não com arrogância, mas com a fé e convicção que nutro. Tal conceito é apoiado pelas informações que temos a respeito da frequência dos cristãos na missa dominical. Atualmente, a Igreja parece estar focada em grandes eventos e nas estatísticas associadas, como encontros, jornadas e jubileus, celebrando as multidões que se reúnem. Contudo, é essencial não perder de vista a realidade cotidiana das paróquias, que é a verdadeira essência da Igreja. Embora muitos cristãos participem desses grandes eventos, muitos permanecem distantes da sua paróquia local. A Igreja não deve se deixar levar pelas grandes agitações midiáticas que surgem, pois isso pode distorcer sua verdadeira realidade. Não afirmo que esses eventos não sejam relevantes – eles são, de fato – mas dou mais valor ao cristianismo discreto, calmo, coerente e comprometido que se cultiva nas paróquias e no cotidiano. Os dados sobre a participação na missa dominical são alarmantemente baixos. Muitos cristãos raramente ou nunca vão à missa aos domingos. A causa disso é complexa, com muitos fatores em jogo, e isso representa um desafio para todas as comunidades, sendo um tema crucial para a pastoral.

Recentemente, ocorreu um congresso eucarístico em Braga, que gerou diretrizes importantes para a vida da Igreja em Portugal: Redescobrir a centralidade eucarística que deve ultrapassar o Domingo; manter as igrejas abertas e valorizar a adoração eucarística; buscar um equilíbrio entre Tradição e a necessidade de novas expressões na liturgia; fortalecer a Eucaristia como um espaço de fraternidade e um sacramento de união; garantir que haja autenticidade e coerência entre o que se vive e o que se proclama; adotar a sinodalidade a partir da Eucaristia; e ser um sinal de Esperança. Cada comunidade foi instada a aplicar e aprofundar essas orientações, reconhecendo que a Eucaristia, especialmente aos domingos, é a fonte e o ápice da vida comunitária.

Os desafios à celebração da missa são muitos e é difícil romper com o distanciamento que muitos cristãos sentem em relação à missa de domingo, o que resulta na diluição da vida comunitária. É uma tarefa difícil, mas estimulante, e a Igreja tem disponibilizado boas orientações para vivenciar essa celebração de maneira mais rica, evitando a rotina e a mecânica, mas sim proporcionando um momento de verdadeiro sabor, força, alimento e luz para a vida.

Jesus Cristo presenteou a sua Igreja com a Eucaristia para que possamos sentir e celebrar sua presença ressuscitada entre nós, viver seu amor entre nós, um amor que teve seu ápice na cruz, que a missa atualiza, permitindo-nos ouvir sua palavra que nutre e ilumina a vida cristã, auxiliando a edificação e consolidação da sua Igreja, seu Corpo místico, que se sustenta e se revigora com o mesmo sangue e o mesmo pão. A missa serve para agradecer a Deus pelo que Ele fez, faz e fará por nós, relembrar os grandes eventos da nossa salvação e implorar a Deus pelas necessidades da Igreja e do mundo. Além disso, a missa tem como objetivo fomentar uma profunda comunhão e fraternidade entre os cristãos, capacitando-os a serem luz e sal da terra ao deixarem a celebração. A missa é, portanto, uma verdadeira escola de humanidade, vida, comunhão e fraternidade. Pergunto-me frequentemente se muitos cristãos compreendem o significado da missa, se sabem o que é celebrado ali e se vivem em consonância com o que celebram, evitando a reduzi-la erradamente a um simples ritual, dever, preceito ou devoção. A falta de compreensão sobre o que e por que celebramos torna-se um caminho seguro para o abandono da missa. É frustrante ouvir de muitos que consideram a “missa um tédio”, especialmente quando o que se celebra são mistérios tão sublimes como a presença de Jesus, a Palavra de Deus, a morte e ressurreição de Cristo e a possibilidade de receber o próprio Jesus. Quando se se torna cristão, a pessoa passa a ser filho de Deus, seguidor de Jesus e membro de uma comunidade, comprometendo-se a caminhar com Cristo e com os outros. Viver essas realidades envolve encontro, celebração, formação, partilha, comunhão e missão. A missa tem por fim realizar, dinamizar e aprofundar essas dimensões. Contudo, muitos cristãos, infelizes, não chegam a esse entendimento.

Não é surpreendente que em um tempo em que se tem pouca vida interior, em que a busca por Deus é rara ou feita de maneira difusa e eclética, e onde os valores espirituais são negligenciados, o bem-estar pessoal e o prazer se tornam o centro da vida, a motivação para participar da missa desapareça. Frequentemente, a missa é trocada por qualquer atividade que pareça mais atraente no momento, como caminhadas, jogos ou festividades. Eu, minha própria satisfação e prazeres são priorizados. Neste cenário em que não há convicções firmes, onde se troca a fidelidade pelo hedonismo, a vontade de participar da missa se torna frágil. Além disso, há uma tendência de que apenas o que é dinâmico e cheio de movimento seja considerado interessante, levando à inclusão de muito ruído e distrações durante a missa. No entanto, a missa oferece algo que a vida cotidiana não dá: a oportunidade de rezar, adorar, experimentar o silêncio, a interioridade, o encontro com uma Palavra desafiadora, reflexão, convivência, celebração da vida e do amor, sentimento de pertencimento, vivência do serviço, e a busca de luz, força e esperança para a vida. A missa deve ser festiva, mas isso não significa que deve ser divertida ou meramente agradável.

A história da Igreja é clara: os cristãos que marcaram a sua época eram aqueles que viviam profundamente a Eucaristia. Aqueles que pertencem a comunidades cristãs vibrantes e com um testemunho genuíno eram também os mais eucarísticos. Ninguém deve esperar ser um bom cristão e dar frutos significativos sem se alimentar da Eucaristia. Sem a Eucaristia, não existe cristão, sacerdote, cantor, catequista, apóstolo ou missionário que possa sustentar sua vitalidade cristã. Muitos casais cristãos também não conseguirão perseverar sem ela. Creio que muitos cristãos se beneficiariam enormemente ao redescobrir a importância da missa em suas vidas. Ela nos proporciona amor, força, presença, comunhão, alegria e uma Palavra que não encontramos em nenhum outro lugar. É um verdadeiro suplemento que confere alegria, sentido e solidez à vida, do qual nunca deveríamos abrir mão.

(Os artigos de opinião publicados nas secções ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são de responsabilidade dos seus autores e representam apenas a sua visão.)

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