
Um coletivo de jovens ativistas e representantes provenientes de nações de língua portuguesa tomará, nesta segunda-feira, em Lisboa, a decisão de ratificar um manifesto que solicita a reformulação das conferências climáticas da ONU, promovendo a inclusão formal da juventude e das mulheres nas tomadas de decisão. Este documento será revelado durante o evento “Preparando o Caminho para a COP30”, que é uma colaboração entre a ONG portuguesa Último Recurso e o Pacto Climático Europeu, junto com outras instituições.
Os jovens ativistas da língua portuguesa irão exigir que as representações nas conferências climáticas atendam a critérios mínimos de diversidade e que os compromissos assumidos sejam acompanhados por mecanismos de transparência e responsabilidade. O manifesto, uma vez aprovado, seguirá para Belém do Pará, no Brasil, onde ocorrerá a COP30, servindo como uma contribuição política da juventude lusófona para a próxima cimeira mundial sobre o clima.
O manifesto foi elaborado nos meses que antecederam a conferência por jovens de diversos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, envolvidos no projeto internacional “Nada Sobre Nós Sem Nós”, uma iniciativa destinada a capacitar jovens delegados e a aumentar a participação da juventude nas decisões relacionadas às negociações climáticas da ONU. O texto é fruto de discussões entre jovens delegados e será apresentado e debatido em Lisboa como uma mensagem política unificada da juventude lusófona, antes de ser levado para as negociações da COP30 no Brasil.
Mariana Gomes, fundadora da ONG Último Recurso e embaixadora do Pacto Climático Europeu, destaca que a solicitação dos jovens “é simples, mas fundamental: deixar de ser convidados e conquistar poder de decisão”. O manifesto, segundo Mariana Gomes, “defende a criação de assentos formais, direito de voto e recursos para garantir uma participação eficaz, acompanhados por mecanismos que assegurem responsabilidade, evitando que promessas sejam meramente simbólicas”. O intuito é “romper a lógica de uma presença simbólica e criar espaço para uma participação efetiva que possa influenciar resultados e políticas”.
A conferência “Preparando o Caminho para a COP30” tem seu início marcado para as 9 horas, no Centro Ismaili, em Lisboa. O evento reunirá mais de 300 participantes entre representantes do governo, especialistas e organizações da sociedade civil.
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Entre os palestrantes confirmados estão Duarte Cordeiro, ex-ministro do Ambiente, a diplomata Ana Martinho, ex-secretária-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e o embaixador Raimundo Carreiro, representante do Brasil em Portugal e enviado especial da presidência da COP30.
Estarão presentes também acadêmicos como Júlia Seixas, pró-reitora da Universidade NOVA de Lisboa, e Sofia Guedes Vaz, pesquisadora na área ambiental da mesma instituição, além de representantes da Comissão Europeia e jovens ativistas lusófonos. O programa será dividido em cinco blocos temáticos, focando na reforma das COP, no papel da juventude e das mulheres na diplomacia climática, no financiamento de projetos liderados por jovens e na justiça climática durante a transição energética.
Concomitantemente, será apresentada a Carta da Juventude Lusófona, elaborada com contribuições de jovens de todos os países da CPLP. Este documento reúne propostas em áreas como financiamento climático acessível, apoio intensificado a estados insulares, educação climática na língua portuguesa e reconhecimento legal da migração por motivos ambientais.
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Mariana Gomes enfatiza que a Carta “demonstra que a juventude lusófona não está apenas clamando por mudanças no sistema, mas também apresentando soluções concretas para uma transição justa”. Para a fundadora da Último Recurso e embaixadora do Pacto Climático Europeu, a conferência em Lisboa dá início a uma trajetória política que culminará em Belém do Pará. “A crise climática não deve ser deliberada sem a inclusão das novas gerações”, ressalta Mariana Gomes. “Lisboa é o ponto de partida, e Belém do Pará será o momento crucial para reivindicarmos a juventude lusófona como um ator legítimo nas negociações da COP30”, conclui.
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