
O Serviço da Juventude encoraja «todas as instâncias diocesanas» a explorar as conclusões dos Círculos Geração «Levanta-te», que oferecem uma visão ampla do Patriarcado de Lisboa, com diversas especificidades
Lisboa, 16 de janeiro de 2026 (Ecclesia) – O Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa divulgou as conclusões de seis encontros dos Círculos Geração ‘Levanta-te’, onde os jovens destacaram as “questões de saúde mental” como a “maior prioridade” que a Igreja deve considerar em sua ação pastoral.
“Se os jovens afirmam que o que mais necessitam é que a Igreja aborde as questões de saúde mental, temos que levar isso a sério. Não sabemos ainda como iremos agir, mas é um tema que precisaremos desenvolver nos próximos anos”, comentou o diretor do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa durante uma entrevista à Agência ECCLESIA.
João Clemente esclareceu que, ao questionar os jovens sobre quais temas são prioritários para a Igreja, nos encontros dos Círculos Geração ‘Levanta-te’, eles enfatizaram as “dimensões internas”, com a saúde mental aparecendo “no topo da lista”, sendo “quase uma constante em toda a diocese”, o que é “surpreendente”, pois “os planos pastorais geralmente não abordam essa questão de forma direta”.
“Além disso, o isolamento é uma preocupação recorrente; eles falam muito sobre como os jovens estão cada vez mais isolados, o que se traduz em uma fragmentação nas relações sociais. Essa percepção se alinha com o que valorizam na Igreja, pois identificam um problema na sociedade portuguesa, comum a outros países, de que os jovens estão cada vez mais solitários, e eles buscam, na Igreja, essa dimensão de relações fraternas”, elaborou.
O Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa apresentou as descobertas dos Círculos Geração ‘Levanta-te’ e observou que “existem questões que são comuns a toda a diocese, enquanto outras variam de região para região. Este foi um trabalho bastante significativo”, durante a sessão ‘O que os jovens dizem sobre a Igreja e a jornada que nela fazem?’, na quinta-feira, dia 15 de janeiro, na igreja de Cristo Rei da Portela.
Os Círculos Geração ‘Levanta-te’ consistiram em seis encontros sinodais de escuta e partilha, onde participaram de 20 a 30 jovens, líderes enviados pelas paróquias ou movimentos, que refletiram sobre sua relação com a Igreja, os desafios e expectativas em diversas regiões do Patriarcado de Lisboa, totalizando 177 jovens e formando “33 grupos de diálogo”.
Os jovens, nas suas comunidades, apontaram as dimensões “caritativa e de serviço” e a fraternidade comunitária como as mais valorizadas, enquanto a “dimensão formativa, sinodal e vocacional” foram as menos apreciadas.
“Chegamos a conclusões muito interessantes, pois percebemos que muitos deles ainda não têm clareza sobre o que é sinodalidade. Quando questionados, muitas vezes não sabem como relacionar isso com suas comunidades”, comentou o diretor do Serviço Diocesano da Juventude de Lisboa, acrescentando que a questão vocacional “apresenta desafios em relação aos processos de acompanhamento, não apenas do sacerdócio, mas também da vida consagrada e da preparação para o sacramento do matrimônio”.
Segundo João Clemente, os participantes dos Círculos Geração ‘Levanta-te’ consideraram como “menos urgente” algumas questões de natureza mais social, como “extremismos sociais, criminalidade juvenil e a situação de jovens migrantes”.
“Eles percebem que essas questões são menos prementes do que os desafios internos que enfrentam, como o isolamento, a saúde mental e as famílias em situação de vulnerabilidade. Isso não significa que os jovens acreditam que só as questões internas e espirituais são importantes, mas pode indicar que percebem que já existe algum trabalho da Igreja nessas áreas ou que o Estado está atuando nessas questões, portanto, não as consideram urgentes para a Igreja. As conclusões desses círculos nos ajudam a compreender melhor a realidade e a avançar a partir delas”, acrescentou.
João Clemente comentou que “é oportuno” obter essas informações à medida que estão “desenhando o plano pastoral da Diocese até o Jubileu da Redenção”, em 2033, e planejam “incorporar muito do que foi discutido nesses círculos” nessa estratégia pastoral para os próximos anos. Ele destacou que, além da saúde mental, continuarão a investir na dimensão formativa, que atualmente se divide em três níveis: uma formação básica, que inclui Teologia para jovens; a formação de animadores, “que no próximo ano pastoral será reformulada”, e a ‘Escola de Acompanhadores’, que representa o terceiro nível.
O Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa teve como destinatários desta sessão líderes de grupos jovens, catequistas, padres, pastoral familiar, educadores, e profissionais da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). Segundo João Clemente, espera-se agora que “todas as instâncias da diocese trabalhem com as conclusões desses Círculos Geração ‘Levanta-te’.”
CB/OC
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