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Moeda palpável predomina no sul europeu: Portugal entre as nações mais carentes

Apesar do crescimento acelerado dos pagamentos digitais em várias partes da Europa, o dinheiro continua a ser o método preferido
Moeda palpável predomina no sul europeu: Portugal entre as nações mais carentes

Apesar do crescimento acelerado dos pagamentos digitais em várias partes da Europa, o dinheiro continua a ser o método preferido para muitas transações cotidianas — e Portugal se destaca como um dos países onde o uso de numerário ainda é considerável. De acordo com uma pesquisa recente do Banco Central Europeu (BCE), 52% das operações na zona euro em 2024 foram realizadas em dinheiro, embora essa porcentagem diminua para 39% quando considerado o valor total das transações.

A investigação, que contou com a participação de 40 mil pessoas em 20 países da zona euro, revela uma Europa dividida entre norte e sul: enquanto as nações do norte e do oeste estão se tornando cada vez mais digitais, o sul e o leste do continente continuam a preferir o dinheiro em espécie.

No contexto português, 47% do valor total das transações foi efetuado em numerário, colocando o país em uma faixa média de dependência desse método — abaixo da Itália (49%) e da Lituânia (59%), mas acima de economias como a França (34%) e a Alemanha (30%).

O relatório do BCE indica que os países que mais utilizam dinheiro incluem Lituânia, Eslováquia, Eslovénia, Áustria, Malta e Croácia, todos com mais de 50% das despesas totais realizadas em numerário. Em contraste, Países Baixos, Finlândia, Luxemburgo, Alemanha, França e Bélgica já utilizam o dinheiro em menos de 35% das transações.

No caso de Portugal, o uso de notas e moedas ainda é forte, principalmente entre os consumidores mais velhos e nas áreas rurais, onde a digitalização bancária ainda não é amplamente adotada. No entanto, o uso de cartões contactless e aplicativos móveis tem crescido nos últimos anos, especialmente em áreas urbanas e no comércio local.

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Dinheiro ainda prevalece no sul e leste da Europa
A tendência geral mostra que o sul e o leste da Europa continuam a ser dominados pelo uso de numerário. Países como Itália (61%), Espanha (57%) e Eslovénia (64%) mantêm uma forte dependência de dinheiro, tanto em termos de número de transações quanto de valores.

No entanto, no norte e oeste da Europa, a situação é bem diferente: os Países Baixos estão na vanguarda da adoção digital, com apenas 22% das transações realizadas em dinheiro, seguidos pela Finlândia (27%), Luxemburgo (37%), Bélgica (39%) e França (43%).

Um representante do Banco Central dos Países Baixos esclareceu à Euronews Business que a rápida aceitação dos pagamentos digitais se deve à “alta taxa de adoção de métodos como pagamentos contactless via cartão ou smartphone”, ressaltando que “os consumidores holandeses consideram os pagamentos digitais mais rápidos e convenientes em comparação com o dinheiro físico”.

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Cartões preferidos em compras acima de 50 euros
Os dados do BCE também mostram que o numerário ainda é predominante em compras de baixo valor, enquanto os cartões de débito e crédito são a escolha preferida para pagamentos acima de 50 euros. Mesmo assim, o dinheiro continua a ter um papel importante na economia informal e em situações onde a digitalização é limitada.

A instituição destaca que, em média, 14 dos 20 países da zona euro ainda consideram o dinheiro como o método de pagamento mais comum — o que demonstra que, apesar da digitalização, o numerário ainda desempenha uma função crucial no dia a dia europeu.

Privacidade e controle financeiro como principais vantagens
Quando indagados sobre os motivos que os levam a preferir o pagamento em dinheiro, 41% dos participantes afirmaram que o principal motivo é a proteção da privacidade e do anonimato, enquanto 35% destacaram que o uso de numerário os ajuda a controlar melhor seus gastos. Outros 30% mencionaram que as transações em dinheiro são liquidadas imediatamente, sem a necessidade de intermediários bancários.

Apenas 18% dos europeus consideram o dinheiro mais seguro, e 28% afirmaram usá-lo porque é aceito em mais contextos, como pequenos comércios ou mercados locais.

A pesquisa também revela diferenças geracionais significativas: consumidores com menos de 40 anos realizam menos da metade de suas transações em dinheiro, enquanto aqueles com mais de 65 anos ainda utilizam notas e moedas em 57% de seus pagamentos.

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