
O sacerdote da Companhia de Jesus apresentou uma palestra intitulada «A Igreja no contexto atual, 60 anos após o Concílio Vaticano II», nas Jornadas de Formação do Clero
Santarém, 21 de janeiro de 2026 – O padre jesuíta José Frazão Correia enfatizou, hoje, nas Jornadas de Formação do Clero de Santarém, realizadas no Centro Pastoral Diocesano, a presença de “obstáculos e barreiras” diante de um mundo em transformação.
“O mundo em que habitamos, sempre em plena mudança, requer que o enfrentemos coletivamente, como um desafio, e não com barreiras e resistências, pois isso não seria eficaz. O vinho novo necessita de odres novos. Não se trata de ignorar o legado, mas sim de entender que o passado não oferece todas as respostas para os desafios atuais”, afirmou o padre, conforme citado pela Diocese de Santarém.
A manhã foi marcada pela conferência “A Igreja no contexto atual, 60 anos após o Concílio Vaticano II”, apresentada pelo padre José Frazão Correia, que se seguiu a uma oração interina e à acolhida proferida pelo bispo D. José Traquina e pelo vigário episcopal para a pastoral, padre Francisco Ruivo.
“Não existe Evangelho sem formas, mas nenhuma forma deve reivindicar ser superior à fonte que é o próprio Evangelho”, defendeu o palestrante.
O padre José Frazão Correia desafiou os presentes ao questionar se o “passado possui todas as respostas para as questões do presente”, rejeitando essa ideia logo em seguida.
“Viver a mudança não significa permanecer inalterado. Não podemos simplesmente ignorar ou ultrapassar as transformações que se apresentam. Podemos lamentar as perdas e pensar que tudo está perdido, mas isso provavelmente não nos levará longe”, comentou.
Para o sacerdote jesuíta, “cultivar a Tradição sem discernimento e de forma apenas exterior” conduz “ao imobilismo, à estagnação da vivência da fé e à autorreferencialidade”.
Nasessão, o palestrante também leu os quatro principais documentos do Concílio Vaticano II, destacando algumas das resistências que o clero e os fiéis deveriam acolher plenamente.
“Precisamos de um novo contato com o Evangelho, como se fosse a primeira vez, o que isso implica, e observar a experiência humana a fim de abraçar a realidade sempre dinâmica, reconhecendo o que é parcial e contraditório em nós”, enfatizou.
O padre José Frazão Correia reforçou a importância do acolhimento, “pois essa é uma atitude que Jesus exemplificou e pediu aos seus discípulos”, além de sugerir uma nova abordagem.
“É na carne que Deus continua a se revelar. Necessitamos de uma nova perspectiva para interpretar a ‘realidade tangível’ e evitar cair no abstrato ao nos relacionarmos com aqueles que encontramos”, pediu.
“Estamos incentivando os cristãos a lerem o Evangelho? Como é possível tanto desconhecimento? O que nos diz o Senhor hoje sobre as questões atuais dos migrantes?”, questionou o sacerdote.
O palestrante destacou a necessidade de “adultos que consigam interpretar o Evangelho de maneira reflexiva e concreta, sem abstrações”.
“Conhecemos os métodos, mas reflexões, sínodos e assembleias só têm impacte se houver uma escolha. Processos eclesiais que não cumprem uma eleição ou escolha não têm eficácia”, apontou.
O padre jesuíta, que se ofereceu para dialogar com o clero da Diocese de Santarém, convidou os presentes a enxergar através da lente do mundo contemporâneo, numa sociedade plural e em constante mudança.
“Não devemos condenar o mundo, mas sim dialogar com ele”, acrescentou.
As Jornadas de Formação do Clero de Santarém, que se estendem até quarta-feira, incluem esta tarde trabalhos em grupo (14h30), um plenário (15h45) e a oração das vésperas (16h45).
LJ/OC
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