
Frei Hermano Filipe reflete sobre a experiência, que se desenrolou ao longo de quatro semanas, enquanto o padre Tiago Alves e o bispo da diocese compartilham suas impressões sobre a peregrinação nas comunidades
Bragança, 03 de outubro de 2025 (Ecclesia) – Os frades Capuchinhos da Fraternidade Itinerante de Presença e Apostolado (FIPA) encerram, neste sábado, a peregrinação pela Diocese de Bragança-Miranda, um mês após o início de sua jornada de autocaravana, atravessando 321 paróquias e milhares de quilômetros.
“Este mês foi extremamente enriquecedor, repleto de surpresas, eventos inesperados, diversas interações, alguns desencontros, mas predominantemente muitas conexões e inúmeros sinais de esperança nas comunidades que visitamos, onde oramos, e que, de certa forma, agora também fazem parte de nós”, declarou Frei Hermano Filipe, líder da FIPA, em entrevista à Agência ECCLESIA.
No contexto do “Tempo da Criação”, uma celebração ecumênica e ecológica que se encerra neste sábado, na festa de São Francisco de Assis, os frades Hermano Filipe, John Naheten e Hermenegildo Sarmento se uniram à “Caravana da Esperança” para conhecer melhor a diocese, onde atuam há dois anos.
“Como franciscanos Capuchinhos, a itinerância está em nosso DNA. O que não faz sentido é ancorar-se em um local e viver de rendimentos, especialmente pastorais. Isso realmente não faz sentido”, enfatiza o guardião da FIPA, que acrescenta que era necessário fazer mais do que viver no “conforto do lar”.
Frei Hermano Filipe explica que a ação foi uma tentativa de “dar forma” ao projeto da FIPA e ao “sonho franciscano” de alcançar áreas onde há uma “escassez de sacerdotes e consagrados”.
“Foi exaustivo, os pés já se ressentem, especialmente de pedalar, mas foi extremamente gratificante”, expressou o frade, destacando o contato com comunidades mais remotas, que expressaram gratidão pela passagem da “Caravana da Esperança”.
[As pessoas] ficam impressionadas e creio que felizes e, de certa forma, orgulhosas por também terem sido visitadas e por termos estado nesses espaços religiosos que lhes são significativos, para orar com elas, para estar com elas, tanto no adro da igreja quanto na praça”, comentou.
Os frades Capuchinhos também foram surpreendidos pelas realidades encontradas durante a viagem, especialmente em relação aos sacerdotes que, segundo Frei Hermano Filipe, “são verdadeiros sinais de esperança” naquelas regiões.
“Às vezes nos concentramos muito nas experiências negativas, no que não vai bem, mas encontrei sacerdotes que realmente se dedicam, que não estão apenas cumprindo um calendário. Quando visitamos um lugar e as pessoas conhecem o nome do pároco, e o pároco sabe o nome das pessoas, é um ótimo indício”, ressaltou.
O padre Tiago Alves, da Zona Pastoral de São Bento em Mirandela, foi um dos sacerdotes que se cruzou com a peregrinação dos Capuchinhos da FIPA, acompanhando-os por 17 comunidades sob sua responsabilidade, e destacou que a passagem da “Caravana da Esperança” foi uma verdadeira “bênção”.
As pessoas participaram e colaboraram, questionando: ‘O que é isso?’ Nem sempre estão acostumadas a ver nossos irmãos religiosos na região e muito menos em uma caravana, não é? Porque dá a impressão de que há lugares onde a Igreja não é acolhida ou onde não parece adequada, e realmente ver os frades em uma caravana é algo que nos toca”, observou.
Ao saber da iniciativa, o sacerdote se questionou se “não seria algo que passasse sem deixar semente, sem um propósito”, destacando que este é um “caminho vivo e novo” com São Francisco que já dura 800 anos e “continua a ser relevante”.
“Confesso que foi a primeira vez que consegui percorrer todas as comunidades em um único dia; foi um esforço significativo, e partilho também da satisfação. Principalmente pela adesão das pessoas que estão presentes e oram. Enfim, que sentem esta igreja como sua, parte de sua vida”, mencionou.
A passagem dos três frades Capuchinhos deixou, para o padre Tiago Alves, um legado de “carinho e presença”: “Estas são as duas palavras, duas sementes que hão de produzir frutos como árvores frondosas. Refletem o carinho do povo de Deus em relação à Igreja e a presença da Igreja que acolhe e cuida do povo de Deus”.
O bispo de Bragança-Miranda, a quarta maior diocese de Portugal, vê a iniciativa da “Caravana da Esperança” como um testemunho da importância dos carismas que enriquecem a diocese e trazem algo inovador e criativo.
D. Nuno Almeida descreve a ação como “um pouco surpreendente”, uma vez que a diocese é “muito extensa”, revelando que, inicialmente, embora confiasse nas capacidades dos frades Capuchinhos para completar o trajeto, sabia que “não seria uma tarefa simples”.
“Esse é mais ou menos um simbolismo de acompanhar os freis por um dia, mas para mim também se assemelha a um laboratório, em que observamos o olhar, a luz no olhar das pessoas que acolhem e recebem. Isso é algo que também acontece durante as visitas pastorais”, expressou.
Para o bispo, tanto o ‘Tempo da Criação’ quanto a “Caravana da Esperança” visam fundamentalmente “reviver” a consciência sobre as propostas presentes nas encíclicas Laudato si’ e Fratelli tutti, ou seja, criar uma nova maneira de perceber a criação, a Casa Comum e adotar uma mentalidade diária “menos consumista”.
“Diferente do Minho, onde estive por sete anos, e da minha região natal, a Beira-Alta, aqui não existem terras abandonadas. Apesar da população reduzida, os campos estão cuidados […] e, principalmente no inverno, quando as amendoeiras estão floridas, eu sempre chego um pouco mais cedo, meia hora ou uma hora, para contemplar”, testemunhou.
CB/LJ/OC
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